Arquivos mensais: Julho 2007

→ 03/07/2007 @18:56

Vamos lá engordar nestas férias, ok?

TugaGordura é formusura, como se pode verificar. Não permitam que o vosso sex-appeal de tuga vá por água abaixo durante estas férias. Comam, bebam, fumem e não façam exercício físico.
Só assim evitarão criar a horrível massa muscular acumulada à volta da gordura.
A dificuldade em engordar não está relacionada com estrutura física do português, mas na falta de método e força de vontade. Neste post procuro dar algumas dicas a todos aqueles que vão entrar de férias e querem livrar-se da massa muscular em excesso. Este conjunto de sete regras irá ajudá-lo a enfardar com sucesso e a transformar a sua barriga numa autêntica bilha de gás. Boa sorte!

1 Cuidado com a bebida
Este é um dos passos mais importantes. Como bom tuga que é, anseia por fazer exercício físico todos os dias – por favor, controle-se. Assim não conseguirá atingir os seus objectivos.
Se tiver amigos médicos ou nutricionistas, evite-os ou esconda-se debaixo da mesa se eles aparecerem.
Beba muita cerveja, que também é líquida e ao menos tem sabor. A expressão “barriguinha de cerveja” surgiu precisamente em homenagem aos bravos que seguiram este regime antes de você. Por favor, não os desiluda.
Se possível combine a cerveja com a ingestão de sumos muito açucarados durante os lanches, de preferência sintéticos.
Desconfie sempre dos sumos naturais, pois fazem bem à saúde. Se não estiver satisfeito com os resultados, pode experimentar beber três ou quatro bebidas gaseificadas a cada refeição. A Coca-Cola e a Pepsi, por exemplo, não só lhe fazem inchar o estômago como têm uma excelente acção digestiva.

2 Cuidado com a alimentação
Evite as frutas, os legumes, as saladas, os alimentos grelhados ou cozidos.
O melhor é comer sempre o dobro do que realmente necessita. Tenha em atenção que é muito importante comer carne de porco, salsichas, chouriços, carne de vaca (quanto mais gordurosa melhor) torresmos e frangos (sobretudo as peles, certifique-se de que estão bem recheadas com molho de manteiga). Não se esqueça também da maionese (despeje aquilo tudo no prato, organize competições de quem-come-mais-maionese com os amigos, enfim, use a imaginação e procure divertir-se nestas férias) e, já sabe, abuse sempre dos fritos.
Para prolongar o regime de férias e a duração das refeições, vá comendo enquanto conversa. Fale de futebol e, se as esposas ou namoradas não estiverem presentes, fale de mulheres.
Coce as partes baixas para testar a eficácia do regime alimentar que lhe propomos: quando verificar que já tem dificuldade em chegar lá, então saberá que está no bom caminho e que essa barriguinha finalmente começa a crescer.
Quando estiver a comer, mastigue devagar e engula grandes quantidades de cada vez para criar bolas de comida no estômago e obrigá-lo a dilatar. Quanto mais comer, mais ele dilata. Quanto mais dilata, mais come. Delicioso.
Não faça pontes entre as refeições – afinal, está de férias. Passe a tarde inteira a comer, a beber e a conversar, e procure mexer-se o menos possível. Adie ao máximo a ida à casa de banho e, se tiver mesmo de ser, arranje uma daquelas cadeirinhas de escritório com rodinhas para que não tenha de se esforçar muito. Se a casa de banho ficar do outro lado da rua, vá de carro.

3 Deixe de fumar
O tabaco é prejudicial ao nosso regime de férias, pois inibe o apetite. Existem inúmeros casos de pessoas que engordam quando deixam de fumar, pois procuram compensar a ausência do cigarro com comida.
Não queremos dizer com isto que deve deixar de fumar totalmente, pois seria um disparate, mas pode usar essa ansiedade a seu favor. Experimente, por exemplo, ficar duas ou três horas sem tocar num cigarro e, sempre que tiver vontade de o fazer, comer duas ou três bolas com creme. Não aceite bolas mal aviadas, ou seja, com pouco açúcar. Deve sempre exigir que todos os bolos estejam cobertos de açúcar e muito óleo. Se quiser beber leite, pode fazê-lo, desde que seja gordo.
Findo este período, poderá voltar a fumar novamente. Fume dois ou três cigarros de uma vez, para compensar o tempo perdido, mas não o faça de barriga vazia: acompanhe sempre com café. E não se esqueça: ponha sempre muito açúcar.
Para saber a percentagem ideal de açúcar, faça a seguinte experiência: coloque a colher dentro da chávena e vá deitando açúcar até a colher se aguentar de pé sozinha. Depois já pode beber à vontade. Se necessário, mande vir uma bica dupla e repita o processo que lhe descrevemos.
Se nunca fumou na vida, então esta é uma boa altura para começar. Faça-o antes das férias, pois assim poderá ganhar o vício a tempo e beneficiar deste método.

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→ 03/07/2007 @16:14

Não há nada a fazer

Ando num período de trabalho inacreditável.
Eu sempre achei que lidava bem com a pressão dos prazos de entrega. Estou habituado a essas coisas e consigo seguir com a minha vida como de costume.
Hoje fui ao multibanco, levantei dinheiro, retirei o cartão e esqueci-me de tirar as notas – só me lembrei quando já estava a virar a esquina. Lá fui a correr como um desalmado para sacar o dinheiro a tempo.
Cinco minutos depois, dei uma nota de dez euros para comprar tabaco e virei costas sem sequer esperar pelo troco.
Nesta altura já não há nada a fazer. Quando as minhas habituais distracções até a mim já parecem ridículas ou exageradas, só há uma solução: férias – e com a máxima urgência. Entretanto, entre um disparate e outro, arrasto-me.

→ 03/07/2007 @11:50

O spam existe para te divertir

Ultimamente a caixa de comentários do Bitaites tem sido invadida por uma trupe greco-romana: entre aqueles que se manifestam preocupados com a saúde da minha vida sexual, incluem-se o Leontios, o Panos, o Metrophanes, o Kyriacos, o Athanassios (um bacano, andou comigo na escola), o Neophytos, o Gondikas, o Photios, o Ambrosios (este é sportinguista) e o Gregorius (mudou de nome depois de experimentar o Windows Vista) – enfim, tudo gente bacana a quem eu desde já agradeço tamanha consideração. Pá, como eu adoro o spam.

→ 02/07/2007 @15:34

No caixote do lixo

O canal noticioso de referência CNN pode abrir noticiários com a libertação de Paris Hilton, mas pelo menos uma jornalista, Mika Brzezinski, co-apresentadora do programa Morning Joe, da MSNBC, soube colocar o assunto no sítio certo: o caixote do lixo.
Recusando-se a abrir o noticiário da manhã com a libertação de Paris Hilton (achando que a Guerra do Iraque era mais importante, vejam lá a ousadia), a jornalista até tentou queimar as folhas que continham a redacção da «notícia».
Só é pena que a este acto simbólico a favor do Jornalismo Mika não tivesse juntado uma presença mais segura que tivesse o condão de reduzir à insignificância os dois palermas que apresentam o noticiário com ela e que não fizeram mais do que picá-la e tratá-la como se fosse uma tontinha. Assim a atitude da jornalista acabará por ser incorporada num circo mediático semelhante ao que alimenta essa sanguessuga da imagem chamada Paris Hilton. Vídeo no YouTube

→ 02/07/2007 @13:34

Que Futuro para as Democracias?

Por uma questão de continuidade conceptual do Planet Geek, ficou determinado que mensalmente todos os seus membros escreveriam sobre um assunto específico. O tema de estreia é Que Futuro para as Democracias? Segue-se a minha contribuição.

Dark Power

Never underestimate the dark power of the force...

O meu antigo professor da Escola Salesiana tinha um método infalível para nos fazer interessar pela matéria: cada erro que o aluno desse no teste era marcado à carolada.

Este professor não se distinguia pelos métodos de ensino da Língua Portuguesa, mas fez um excelente trabalho a ensinar-nos o significado da palavra Medo. Antes do 25 de Abril, o ensino do Medo era uma disciplina tão obrigatória como Moral e Religião.

Naquele seu exercício de justiça democrática ninguém era poupado. Aquele professor chegava-se às carteiras como um anjo papudo, pegava na folha de teste e começava a distribuir as notas: à primeira calinada que detectasse, punha imediatamente em acção a sua bigorna pedagógica. As mãos eram enormes, sempre suadas e gordurosas, provavelmente por passar as horas livres a mexer nas cuecas, julgando-as o avental da mulher que nunca teve. Só de me lembrar desse tipo me dá vontade de ouvir outra vez o The Wall dos Pink Floyd.

As caroladas tinham vários graus de intensidade, pois aqueles que eram maus alunos normalmente levavam com as marretadas mais implacáveis. Ainda hoje estou para saber se aquela era uma forma peculiar de querer meter-lhes a matéria toda na cabeça ou se era apenas uma manifestação de tristeza pelo facto de a sua colecção de bonequinhos de feira não atingir os objectivos pedagógicos.

Para os alunos bons a Português, os seus preferidos, os carolos eram mais condescendentes. Às vezes mais pareciam festinhas na cabeça dadas com o nó dos dedos do que propriamente castigos ou repreensões. Quanto aos outros «canalhas», não interessava se fossem excelentes a Matemática ou a Ciências – se não prestavam para a gramática, não prestavam para mais nada.

Hoje em dia são inúmeros os casos em que alunos batem nos professores e de professores arrasados e que vivem no medo – a prova de que não estamos a ter grande sucesso em transmitir às novas gerações as lições do passado. O futuro das Democracias depende então da forma como seremos capazes de fazer equilibrismo enquanto caminhamos na corda bamba.

Apesar de gostar de ficção científica, fazem-me impressão exercícios futuristas. O futuro do futuro, digamos assim, o futuro de qualquer coisa, é determinado pelo conjunto das nossas memórias, por mais pessoais que sejam: por exemplo, desejamos não repetir com os nossos filhos os erros dos nossos pais.

O futuro também é determinado pela memória daqueles que morreram ou sofreram em nome da Liberdade e da Democracia. Hoje em dia estas são apenas palavras para a maior parte das pessoas, mas mesmo aqueles que não se interessam pelas coisas do passado têm a noção de que estas duas palavras não podem viver uma sem a outra.

As pessoas do passado de que vos falo não morreram por motivos políticos – morreram por Amor. Morreram e sofreram para que o romance entre Democracia e Liberdade tivesse um final feliz ou, pelo menos, uma relação estável.

Para quem nasceu depois do 25 de Abril, Liberdade e Democracia são tão naturais como o ar que se respira. Mas tenham em conta um facto muito simples transmitido de geração em geração pelos valentes que levantaram as cabeças contra as grandes e pequenas tiranias da vida: nenhum ser humano pode viver sem respirar mas há sempre alguém que vos quer tapar a boca. Não o permitam porque é assim que as tiranias começam: ao princípio não vos querem impedir de respirar, apenas tapar-vos a boca; depois, se protestarem, sufocam-vos. E sempre para vosso bem.

Tudo isto são banalidades – por isso é que nos esquecemos.

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