Arquivos mensais: Março 2007

→ 27/03/2007 @1:16

Web, da utopia aos dias de hoje

Nos seus primeiros tempos, a Web prometia ser a forma mais democrática de disponibilizar e consultar informação.
Antes do aparecimento da Web, para se saber um contacto precisávamos de consultar as páginas amarelas. Ou para conhecer novos restaurantes precisávamos de comprar um guia. Para nos informarmos precisávamos de comprar um jornal ou ouvir o rádio.
O aparecimento da Internet, e a Web em particular, fez-nos acreditar que não mais precisaríamos de intermediários – as páginas amarelas, o guia de restaurantes, o jornal – e poderíamos passar a ir directamente à “fonte” da informação.
Quer queiramos ou não, ser intermediário tem poder. O poder de divulgar melhor um contacto ou um restaurante. Poder esse que se pode converter em receitas, cativando publicidade de quem estiver disposto a investir para ser mais conhecido.
Esta lógica sempre foi contrária aos pequenos, sem capacidade para investir.
A Web prometia o contrário. Seja grande ou pequeno, basta ter um site na Web pois poderemos sempre ser encontrados.
À medida que o número de conteúdos na Web foi crescendo, tornou-se impossível conhecer todos os sites existentes. Tornou-se então essencial utilizar ferramentas que nos ajudem a descobrir o que pretendemos: os motores de pesquisa.
Os motores de pesquisa, como o Google ou o MSN, tornaram-se então os intermediários das nossas consultas. E esse poder foi convertido em receitas de publicidade, permitindo novamente a quem tenha capacidade de investimento ser mais divulgado do que os restantes.
A situação tende ainda a ser mais complicada. Com o crescimento exponencial dos sites disponíveis, os motores de pesquisa têm de ter mecanismos para valorizar umas páginas em relação a outras. Esses mecanismos, como o page rank do Google, valorizam as páginas que têm mais links a apontar para elas. Ou seja, tipicamente as páginas/sites das organizações maiores.
Por outro lado, se mudar de URL, isto é, o nome do seu site, arrisca a que o Google não o divulgue dado não ter nenhuma forma de saber que o novo site substitui o antigo. Aconteceu isso comigo e durante alguns meses a minha página não aparecia sequer nas primeiras 20 respostas de quem procurasse no Google. Ou experimente procurar por “bitaites” e verifique se o novo URL aparece…
No futuro, o poder destes intermediários do século XXI continuará a crescer de tal forma que, em breve, eles poderão condicionar a própria viabilidade de uma empresa. Se por algum motivo não for indexado no Google ou a sua entrada de DNS expirar, o que será que muda no dia-a-dia da sua organização?
Se não está no Google, será mesmo que existe?

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→ 26/03/2007 @23:26

I Love Coca-Cola

→ 26/03/2007 @22:23

Uma voz na noite

O compositor, saxofonista e flautista Charles Lloyd, nascido em 1938, já tocou com meio-mundo do jazz, mas a sua principal influência é John Coltrane.

Mas há mais neste imaginário musical, pois o homem tocou com tantos músicos de renome que seria impossível que tivesse bebido os sons de apenas um.

Em 1960 juntou-se à orquestra de Chico Hamilton como director musical. Dele se diz ter sido o responsável pela viragem da música de Hamilton para um estilo mais moderno, menos bebop e mais arrojado.

Quatro anos depois, em 1964, junta-se a Cannonball Adderley, saxofonista que integrara, juntamente com Coltrane e o pianista Bill Evans, o quinteto maravilha de Miles Davis, responsável por um dos melhores discos de jazz de todos os tempos: A Kind of Blue. Ao mesmo tempo que tocava com Adderley, ia lançando discos a solo: Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams faziam parte do grupo que o acompanhava nessas aventuras.

Em 1966, formou uma banda com o pianista Keith Jarrett, Cecil McBee (contra-baixo) e Jack DeJohnette (bateria). A música consistia numa mistura de estilos: bebop, free jazz e soul, principalmente, o que cativou não só críticos como público. Um disco desta fase – Forest Flower – alcançaria um enorme sucesso comercial, revelando a música de Charles Lloyd a uma audiência mais familiarizada com o rock.

Quando o grupo se desfez, em 1968, Lloyd retirou-se da cena jazzística. Durante os anos 70 foi visto sobretudo acompanhando os Beach Boys tanto em estúdio como em tourné. Só regressaria em pleno ao jazz quando, em 1980, o pianista Michel Petrucciani o desafiou.

Desde 1989 que Charles Lloyd vem lançando discos com a editora ECM. Desenvolveu uma (merecida) fama de excelente compositor e intérprete de baladas jazz – e é nesta faceta que lembra a face mais delicada e doce de John Coltrane. Voice in the Night, primeira faixa do disco com o mesmo nome, gravado em 1999 na companhia de John Abercrombie, Dave Holland e Billy Higgins, entre outros, poderá ajudar a destruir o mito segundo o qual jazz é só barulho, pouco sentimento e zero de melodia.

→ 26/03/2007 @17:08

De Tel-Aviv para o mundo

Asaf Hanuka é um ilustrador muito requisitado por publicações como a Times, Rolling Stone ou Forbes. Geralmente é-lhe pedido para ilustrar um editorial sobre um tema específico – o que ele faz muitíssimo bem. São as ilustrações que ele tem produzido para os media que fazem brilhar o seu site, embora seja possível dar uma espreitadela ao seu trabalho como ilustrador de banda desenhada. Hanuka é israelita e vive em Tel-Aviv.

→ 26/03/2007 @16:31

Campanha de choque da Cruz Vermelha

Uma campanha publicitária da Cruz Vermelha de São Francisco faz uso de uma soberba ilusão de óptica para fazer passar uma simples mensagem: a necessidade de os habitantes estarem conscientes de que aquela é uma zona sísmica e se devem prevenir contra um terramoto. Ao invés de escolher um anúncio normal, a Cruz Vermelha decidiu fazer uma campanha de choque e colocou camiões com fotografias em tamanho real da área onde estão estacionados. As fotos estão retocadas para que a mesma área onde se encontra o veículo pareça ter sido devastada por um tremor de terra. Vista do ângulo certo, a ilusão torna-se perfeita e a paisagem diante do transeunte transforma-se. Mais fotos

→ 26/03/2007 @15:39

Retratos

Portraits with a Soul. O nome do site diz quase tudo: fotógrafos de todo o mundo contribuem com retratos de pessoas. O que se segue para quem explorar o site – são centenas os fotógrafos participantes – é uma fantástica galeria de gente bonita – bonita pelos padrões normais, como nesta foto aqui em cima, mas também de uma forma peculiar de beleza (a autenticidade de um sorriso, por exemplo) que atrai o olhar artístico do fotógrafo.

→ 26/03/2007 @14:02

Por outro lado… E daí?

Oliveira Salazar ter sido eleito como o maior português de sempre num concurso/sondagem da RTP não me diz absolutamente nada.
Competição por competição, prefiro o futebol: esta quarta-feira a selecção nacional joga na Sérvia uma cartada importante na qualificação para o Europeu. Já para não mencionar o possível jogo do título, o Benfica-FC Porto. E não é esta semana que estreiam mais umas quantas telenovelas?
As pessoas que elegeram um ditador como o maior português de sempre já terão esquecido o assunto amanhã porque, afinal de contas, a emissão continua na RTP, mas também na SIC, na TVI e nos outros canais do Cabo.
Há quem esteja chocado com o resultado por considerar que, por terem votado em Salazar, os portugueses são todos uns fascistas.
Não vale a pena a gente chatear-se. Os meninos de extrema-direita que fiquem orgulhosamente sós a espumar orgulho lusitano pela boca.
É preciso fazer a distinção entre portugueses e espectadores de televisão. Os muitos milhares que desceram às ruas no 25 de Abril celebrando a Liberdade são portugueses; os milhares que votaram em Salazar são espectadores de televisão.
É a nossa condição ou uma simples circunstância que nos divide? Esta é a questão mais preocupante. Quanto aos telespectadores, acabaram por eleger o português que, ao longo da História, mais lhes fez o favor de pensar por eles. Hoje o Salazar, amanhã o José Eduardo Moniz. Digam-me, por favor, onde está a novidade?