Arquivos mensais: Março 2007

→ 01/03/2007 @10:35

Leitura sobre rodas

Arranjei a solução perfeita para incentivar o país à leitura: criar um subsídio a quem lê nos transportes públicos.
Se um gajo estiver a ler António Lobo Antunes no comboio, só paga dez por cento do bilhete. Quem quiser um desconto de 80 por cento nos passes sociais tem de ler o conjunto completo das obras de Agustina Bessa Luís. Se conseguir ler Saramago sem tropeçar nas vírgulas tem direito a descontos especiais no Metropolitano. Se for capaz de declamar um soneto de Camões num autocarro pode até viajar de borla durante duas semanas.
Claro que para esta medida resultar os picas têm de ser professores universitários licenciados em Língua Portuguesa – só assim se avalia correctamente os passageiros. Se um passageiro for apanhado a ler os artigos do José Castelo Branco no 24horas, pimba! Paga logo multa. É como se estivesse a viajar sem bilhete.
Que implementem estas regras rapidamente, e com firmeza. A sério. Sem medo. Como diz um amigo meu quando chega atrasado, «o homem põe e o comboio dispõe».

→ 01/03/2007 @10:30

Geração Qwerty

Estamos rodeados de computadores. Tão dependentes do teclado que teríamos dificuldade em pegar na caneta para escrever frases que teclamos diante da máquina. Se tentarmos escrever 2500 caracteres à mão, acabaremos por sentir que as palavras em papel são mais pesadas do que parecem – e não se apagam tão facilmente.
Chegará o tempo em que os putos desenvolverão a escrita exclusivamente em teclados. Não terão necessidade de compreender a gramática portuguesa, pois os processadores de texto encarregar-se-ão de corrigir os erros. Como serão então avaliados os alunos de Português? Pela qualidade da escrita e compreensão da leitura? Pela rapidez com que aprendem a trabalhar com o computador e o software de processamento e correcção de texto?
Não se pode confiar nos políticos para pensar nestes problemas – muito menos resolvê-los. Se lhes dizem que os portugueses escrevem pouco e lêem mal, desatam a inaugurar bibliotecas.
O que nos safa é a esperança de que a evolução da tecnologia possa vir a ser o espelho da nossa própria evolução: porque só as pessoas marcam a diferença. As pessoas e a sua insubstituível criatividade e capacidade de sonhar.

Afinal quem foi o idiota que se lembrou de dizer que não podemos mudar o mundo?

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