Arquivos mensais: Março 2007

→ 19/03/2007 @8:33

Radiohead acústico

De todas as gravações não-autorizadas dos Radiohead (existem às centenas), Gagging Order: Acoustic Recordings é uma das mais procuradas pelos fãs: não só contém belas versões acústicas dos grandes temas da banda como a qualidade de som é bastante boa. E para ouvir Thom Yorke a cantar o primeiro grande êxito dos Radiohead, Creep, apenas acompanhado à guitarra, vale a pena fazer o download.

→ 19/03/2007 @0:05

Hoje é o meu dia, deixem-me dormir

Pois é, querida. Hoje é a minha vez. O dia é meu. Faço tudo aquilo que quiser e não vou pensar em mais nada a não ser no meu bem-estar. E o que eu quero é ficar a boiar no sofá.
É engraçado que o Dia do Pai seja um pretexto para esquecer temporariamente todas as obrigações e responsabilidades de ser pai, mas é assim. Considera-o um mimo que me fazes. Eu fico aqui deitadinho a recuperar as horas de sono e de sossego que já perdi, tu sais com os miúdos para me comprar uma prenda.
É isso mesmo. No dia do Pai os pais querem ser tratados como filhos. Não é pedir muito. Este dia só se comemora uma vez por ano. Já se sabe que o mundo não é perfeito, mas talvez se pudesse fazer um dia do Pai por mês – 12 dias por ano. E cada um desses dias podia ser feriado nacional. Ganhávamos todos: tu tinhas o dia livre para cuidar dos miúdos, eu para dormir uma sesta ou blogar sossegado.
No dia do Pai devia ser obrigatório oferecer-se um sofá. Um daqueles sofás espaçosos, de quatro ou cinco lugares, que desse para um pai se esticar ao comprido sem ter outra palavra na cabeça a não ser comodidade – mas sem conjugar o verbo, que isso dá muito trabalho.
Como acessório podias oferecer-me um comando de televisão que reconhecesse o dono. Nem que os miúdos carregassem cinquenta mil vezes no canal Panda, eu continuaria a ver o meu Benfica porque o comando estaria programado para me obedecer só a mim. Pergunto-me porque razão ainda não inventaram um comando só-para-homens quando existem tantos objectos em casa que só parecem obedecer-te a ti.

Seja como for, é maravilhoso um mundo em que os nossos filhos existem.

E agora que já te consegui tocar no coração, escolhe uma boa prenda para mim. Eu mereço, sabias? Sou mais querido que um ursinho de peluche e sei piscar os olhos como o Bambi.

→ 18/03/2007 @23:53

Uma Foto e uma Música [49]

Foto: Isto Ica (Moment Refracted) | Música: David Sylvian (I Surrender)

→ 18/03/2007 @22:58

Hackergotchi e o raio que os parta

A imagem aqui ao lado não sou eu, não é um avatar, nem sequer o Frank Zappa a espetar um dedo no nariz – é o meu hackergotchi, o elemento gráfico identificativo dos membros do Planet Geek.
O Planet Geek é o agregador de blogues do qual o Bitaites faz fez parte.

Quiseram logo saber se eu por acaso já tinha um hackergotchi. E a primeira coisa que me apeteceu foi perguntar «que raio de merda é essa?»

Ainda bem que existe o Google para sanar mal entendidos. Porque, à primeira vista, se decompusermos a palavra «hackergotchi», o resultado não é lá muito animador. «Hacker» significa… Bem, significa muita coisa, hoje em dia – mas seja qual for a definição que se adoptar, não se aplica a mim. Portanto só restava a segunda parte, ou seja, gotchi.

Gotchi vem de Tamagotchi, um brinquedo japonês muitíssimo irritante com um boneco pixelado e feioso lá dentro que nos pede alimentos e atenções como se fosse um animal de estimação. O que me levou a pensar «Porra, estes geeks são pouco exigentes consigo próprios».

Quem terá sido o iluminado que se lembrou da parte do Gotchi? Um agente infiltrado da Microsoft, se calhar. Quase consigo imaginá-lo a pensar «Já que estão sempre a fazer queixinhas do Windows, de como é tão injusto que essa espécie de SO domine o mercado quando existem alternativas de maior qualidade, blá blá blá, então arranja-se um nome a condizer com esses gajos: passam a ser os hackergotchis, ou seja, os hackers que fazem beicinho, as Floribellas da informática.

Se isto é verdade, malta, sugiro mandar os hackergotchis para o raio que os parta. Podemos manter as imagens, mas mudamos de nome.

Por outro lado, o tipo que se lembrou da parte do Gotchi pode ter sido um geek generoso que passou meses a ajudar newbies preguiçosos nos fóruns de discussão Linux e que, um dia, farto de tantas perguntas, deu um murro na mesa e gritou:
«Vocês são piores que o Tomagotchi do meu irmão, dasse, vão mas é ler o fucking manual e larguem-me a braguilha, carago!»

Seja qual for a história, hackergotchi é um bocado lame. Se pensarmos bem, a palavra lame também é um bocado lame. E meter o dedo no nariz também, mesmo sendo o nariz de Mestre Zappa. E demasiados itálicos nos posts se calhar é muito gotchi.

→ 18/03/2007 @17:00

Ai, Gabriel Alves, o que seria de nós sem ti

Gabriel AlvesNo YouTube: Bruno Ferreira faz uma imitação do mítico e imparável Gabriel Alves, comentando as incidências do recente particular entre Portugal e Brasil.

→ 18/03/2007 @15:50

Zenwalk

Zenwalk: GNU/Linux baseada em Slackware, vocacionada para o desktop e multimédia. Página oficial, screenshots, fórum de discussão e análises na DistroWatch.

→ 18/03/2007 @14:46

Sandálias iraquianas revisitadas

As celebrações do dia 4 de Julho nos Estados Unidos fazem-me sempre lembrar o Iraque e a forma como George Bush (com uma ajudinha nossa, lembram-se da cimeira dos Açores?) tentou convencer o mundo de que Saddam estava prestes a rebentar o planeta com armas de destruição massiva.
Essa história toda foi só para encobrir. O verdadeiro perigo iraquiano consistiu sempre na proliferação das suas sandálias. A CIA descobriu que ali as sandálias não são o que parecem: são ultra-sofisticadas, fabricadas por temíveis tecnologias vendidas por franceses e alemães.
Existem muitos tipos de sandálias no Iraque: sandálias-FM, que também funcionam como relógio-despertador; sandálias-candeeiro, equipadas com uma lâmpada direccional (quem quiser ler na cama só tem de se calçar); sandálias-karaoke, supostamente encomendadas à Sony para divertir os netinhos de Saddam – enfim, estes são alguns dos exemplos mais inofensivos.
Piores são as sandálias-papagaio que os alemães da Grunding terão fornecido ao Iraque: são capazes de cumprimentar os transeuntes na rua e transmitir alguns recados; modelos mais avançados podem protestar se forem pisados ou pedir desculpa se pisarem alguém.

Mas o que alarmou a CIA foi a descoberta de outro tipo de sandálias no Iraque – produtos engenhosos só ao alcance de uma super-potência: sandálias que servem de telemóveis; sandálias capazes de passar a roupa a ferro, fazer as lides da casa e ir às compras ao supermercado (algumas, segundo a CIA, já levam as crianças à escola, outras são capazes de dar explicações de matemática).
A situação tornou-se tão preocupante, a evolução ciberbiológica das sandálias foi tão significativa, que os agentes secretos temeram que a realização de uniões de facto entre homens e sandálias estivesse já a ocorrer por alturas da segunda invasão do Iraque.
Por isso é que os EUA entraram de rompante no país. Não foi por causa das armas de destruição massiva, muito menos para controlar o petróleo ou libertar o povo de um ditador sanguinário. Nada disso. Isso são cover stories. O que os americanos não podiam permitir era que a influência sandaliana no sistema político, económico e financeiro iraquiano alastrasse ao resto do planeta. Sei até que um relatório ultra-secreto do FBI menciona a fundação, nos EUA, de uma seita chamada Igreja das Sandálias de Cristo, formada por sandálias que se julgam descendentes das sandálias que o Salvador calçou durante as suas peregrinações pela Galileia. Mais: até as sandálias dos alemães da Grunding, ao princípio inofensivas, planeavam formar o seu próprio canal de televisão – a Sandeutch TV.
Sabe-se que existem na Europa modelos especiais, bastante temíveis, os chamados Quando vejo o George Bush tenho vontade de dar um pontapé no cu de alguém, responsável por uma série de tumultos e zaragatas que ameaçaram a estabilidade social de vários países, principalmente a Grã-Bretanha. Entre o arsenal químico descoberto no Iraque conta-se o modelo Encosta-lhe a sandália ao nariz, do qual se conhecem efeitos devastadores.
Mas a pior descoberta da CIA foi a constatação de que Saddam Hussein, supremo ex-ditador do Iraque e de qualquer outra coisa terrena, era, ele próprio, uma sandália. Daí ter sido condenado a passar as suas últimas horas num cabide que é, como se sabe, o pior sítio para se pendurar uma sandália.
Ainda bem que estivemos na linha da frente no combate às perigosas sandálias iraquianas. Mantivemo-nos ao lado dos nossos aliados neste importante combate! Pequeninos, mas orgulhosos e cheios de gana. Por isso, sempre que penso nos americanos e no Iraque, até me apetece cantar: contra as sandálias, marchar, marchar.

Repescada para o Factor 3+1