Sabe onde trabalha o Linus Torvalds, criador do Kernel Linux? Em 2000, a HP, Intel, IBM e NEC juntaram-se e formaram uma organização sem fins criativos chamada OSDL (Open Source Developer Labs), com sede em Portland.
O OSDL tinha como objectivo apoiar o desenvolvimento do Linux em ambiente empresarial. Entre outras actividades, levou a cabo o recrutamento de Linus Torvalds e Andrew Morton, seu braço direito.
O Open Source Developer Labs era mais do que Linus. Os seus grupos técnicos dinamizaram diferentes áreas como o Linux nas Telecomunicações (Carrier Grade Linux), no DataCenter, no Desktop e, finalmente, Linux em dispositivos móveis.
A dinamização consistia em reunir virtualmente e em conferências com presença física, os principais actores dos diferentes mercados onde o Linux está e concertar estratégicas técnicas para os mesmos.
Em paralelo, o Free Standards Group (FSG) vinha a desenvolver trabalho na normalização de diferentes áreas do Linux. O FSG é, por exemplo, conhecido por ser o responsável pelo desenvolvimento da norma LSB (Linus Standard Base) que pretende uniformizar o sistema de ficheiros e interfaces de um sistema Linux. Assim, quem conhecer e trabalhar numa distribuição de Linux sabe trabalhar noutra. Da mesma forma, quem desenvolve uma aplicação para Linux tem as garantias mínimas de que, compilando a mesma, consegue executá-la em diferentes distribuições. Isto é, em diferentes sabores de Linux como Red Hat, SuSE ou Caixa Mágica.
Soube-se, a 21 de Janeiro, que o OSDL e o FSG se fundiram e criaram uma nova organização chamada Linux Foundation.
A Linux Foundation – em português, Fundação Linux – desenvolverá trabalho em três áreas distintas: Protecção do Linux, Estandardização e Promoção/Colaboração.
Por Protecção do Linux, entenda-se financiar os programadores-chave do Kernel do Linux para estes manterem a independência e poderem desenvolver o seu trabalho com o máximo de condições. Mas também significa proteger a marca Linux e a defesa a ataques de utilização indevida de alegadas patentes por parte do Kernel. Esta é uma táctica que foi utilizada há alguns anos por parte de empresas como a SCO para descredibilizar o Linux.
Assim, em disputas de propriedade intelectual, a Fundação Linux poderá centralizar a protecção do Linux e do seu desenvolvimento.
A Estandardização, através da criação de normas, será uma área natural já que as duas organizações já eram responsáveis pela maioria do trabalho nesta área.
A promoção e incentivo à colaboração visará certamente dinamizar a actividade em áreas específicas da utilização de Linux.
Esta fusão, apesar de apanhar de surpresa a comunidade, faz algum sentido.
Os dois grupos já tinham desenvolvido um excelente trabalho com o Projecto Portland. Este pretende uniformizar os interfaces Gnome e KDE de forma a que as aplicações funcionem igualmente bem em ambos os ambientes de trabalho.
Também na área do Desktop, a FSG participa no FreeDesktop.org que contribui, noutras vertentes, para o desenvolvimento de um Desktop em Linux mais intuitivo e normalizado.
A massa crítica destes grupos é essencial para que as grandes empresas e organizações lhes reconheçam idoneidade e se juntem no esforço de normalização.
Existem também alguns perigos. A fusão de duas organizações implica sempre um choque de culturas e, numa área tão crítica como o apoio ao desenvolvimento do Kernel, isso pode ser perigoso. Iremos certamente ouvir falar bastante da Fundação Linux.

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