Arquivos anuais: 2006

→ 14/01/2006 @12:46

Olá, filhota

As minhas desculpas por este momento insuportavelmente piegas, mas este post também não é para vocês.
É para ti, filhota. Porque sim. Cresceste! Estás menos parecida comigo, o que significa que estás cada vez mais bonita. E gosto tanto de ti, mas tanto, tanto, que já nem me chateia o poster dos D’Zrt no quarto ou não ver a SIC Notícias por causa dos Morangos com Açúcar.

→ 12/01/2006 @18:06

Stewart não é estatueta de ninguém

Este ano tenho uma boa razão para aturar o pastelão televisivo da Cerimónia dos Óscares de Hollywood. O apresentador do evento – já confirmado oficialmente pelos organizadores – vai ser Jon Stewart.
Stewart é um comediante. Faz de falso pivot de um telejornal humorístico – The Daily Show – exibido nos Estados Unidos pelo canal Comedy Central e, em Portugal, pela SIC Radical. A passagem dele como convidado do programa informativo Crossfire, da CNN, tornou-se um acontecimento histórico por causa do que Stewart se atreveu a dizer em directo, enxovalhando o programa e os seus respeitáveis anfitriões.

Pessoas que gravaram o Crossfire dessa noite colocaram-no na Internet porque aquele era um tipo de material explosivo. E tinham razão: em poucos dias, um dos primeiros sites a colocar uma stream do vídeo com a emissão original da CNN – o iFilm – registou 400 mil visionamentos. Mais de um ano depois, a histórica emissão continua a circular na rede. Os downloads são já aos milhões. O impacto da presença de Stewart no programa foi tal que, na emissão seguinte, os dois apresentadores – Tucker Carlson e Paul Begala – gastaram boa parte do tempo a ler cartas de telespectadores manifestando-se duramente contra as posições do comediante. Mas esses foram a minoria: Stewart continua na CNN e prepara-se para apresentar os óscares, o programa Crossfire já foi extinto.
Mas que raio terá dito Jon Stewart para provocar tanta reacção das pessoas e desejo de vingança dos dois apresentadores do Crossfire? É simples: ele foi lá criticar duramente o programa e a postura dos apresentadores. E falou mesmo a sério. Ninguém espera que um comediante reivindique o direito elementar de falar a sério, sobretudo perante uma plateia de milhões.

“Que idade tem você?” – Perguntou Stewart, dirigindo-se a um dos apresentadores, Tucker Carlson, cuja imagem de marca é o uso de um lacinho colorido à Miguel Esteves Cardoso. “Trinta e cinco anos”, respondeu Carlson. “35 anos e usa esse lacinho? – Gozou. – Note que não estou a dizer que você não é um tipo esperto. Deve ser difícil atar esse lacinho todos os dias”

É preciso entender que o CrossFire era, na altura, um dos ex-libris informativos da CNN: um programa de debates que, na sua essência, dividia as questões políticas, sociais e económicas dos Estados Unidos em termos simples e directos: esquerda versus direita, democratas versus republicanos. Em todas as emissões eram convidados representantes das alas políticas antagónicas. Mesmos os apresentadores, Tucker Carlson e Paul Begala, assumiam lados opostos nesta barricada de ideias, completando assim o quadro Crossfire (Fogo Cruzado) do programa.
Quando Jon Stewart foi convidado, o Daily Show estava a atingir o sucesso merecido. A tal ponto que a CNN, reconhecendo-lhe mérito, pertinência e potenciais audiências, decidira passar a incluir o programa na sua própria programação, retirando-o do gueto do Comedy Central e apresentando-o às massas. O CrossFire apostou tanto na sua presença que até quebrou uma regra: Stewart foi o único convidado nessa noite.

Em vez de chegar lá e dizer umas piadolas para deleite dos anfitriões e da audiência, Jon Stewart acusou o programa da CNN (que acabara de o contratar, recorde-se) de ser “mau” e seriamente “prejudicial” à América porque, no seu entender, sob uma pretensa capa de “polémico programa de debates”, se limitava a entrar no velho jogo do marketing político e dos grandes interesses económicos: “Nós precisávamos de um bom programa de informação que combatesse os interesses corporativistas e desmontasse todo o marketing que rodeia a política actual. Infelizmente, vocês não o fazem, entram no jogo deles. Para mim é um desespero ver o vosso programa. Por favor, deixem de ser mercenários. Não façam mais mal à América”.
É engraçado que, numa emissão em que é suposto dois apresentadores se confrontarem – Crossfire, lembram-se? – eles deixaram cair o verniz da confrontação civilizada, unindo-se para responder às acusações e enxovalhar Stewart: “Você como comediante é bom, mas para dar sermões não presta”.
Claro que ele não lhes deu hipóteses.
“Que idade tem você?” – Perguntou, dirigindo-se a um dos apresentadores, Tucker Carlson, cuja imagem de marca é o uso de um lacinho colorido à Miguel Esteves Cardoso. “Trinta e cinco anos”, respondeu Carlson. “35 anos e usa esse lacinho? – Gozou Stewart. – Note que não estou a dizer que você não é um tipo esperto. Deve ser difícil atar esse lacinho todos os dias”.
É este o homem que vai apresentar os Óscares de Hollywood, edição 2006. Se Stewart mantiver metade desta ousadia e espírito crítico, suspeito que é bem capaz de abardinar completamente a cerimónia e desmontar algumas poses e sorrisos.
O vídeo com a histórica emissão do Crossfire está aqui. São mais de 70 megas de download, mas acreditem que vale a pena.

→ 11/01/2006 @11:34

Sorrisos [10]

Foto: Iceberg ‘goggle girl’, de Matt Hoyle

→ 09/01/2006 @11:30

Anúncio de seis milhões

Já viram um anúncio ao Honda Accord filmado em tempo real no qual uma série de componentes de automóvel vão batendo uns nos outros como peças de dominó? Se seguirem o link, poderão vê-lo. Link
Além de ter sido filmado em tempo real, não existiram elementos CGI envolvidos, ou seja, não se usaram truques de animação por computador. Resultado: foram necessários três meses de filmagens, 606 takes e seis milhões de dólares para completar a sequência. O equipamento estava tão meticulosamente posicionado que os elementos da equipa de filmagens tinham de andar descalços e em bicos de pés, com medo de perturbar o delicado equilíbrio das peças.

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