Arquivos anuais: 2006

→ 20/12/2006 @18:09

Machos românticos da Blogosfera

Existe uma certa tendência para fazer da blogosfera apenas uma forma de andar no engate.
Divertem-me sobretudo os gajos que abrem blogues e os enchem de frases tão belas e sensíveis como margarina no rabo da irmãzinha – assim respondia o Charlie Parker a quem lhe elogiasse os seus discos de jazz com violinos gelatinosos. (Ver filme do Clint Eastwood, sff.)
Não me parece até que sejam blogues, mas teias de aranha. O blogger – neste caso, o aranhiço – mantém-se à sombra das suas eloquentes palavras, esperando que uma bela mosquinha passageira se perca entre frases pegajosas. Depois é vê-lo esfregando as patinhas ansiosas quando, por fim, os corações destas desgraçadas Floribellas Espancas se deixam prender.
É neste momento que o aranhiço sai da sombra e se dispõe a tratar apenas do que sempre lhe interessou fazer: papar a mosquinha. Nada contra, mas seria preferível que o tipo fosse directo ao assunto.
Escrever, por exemplo, Estou louco de vontade de atiçar teu corpo não é lá muito agradável. Se fosse gaja não só detestaria ser comparado a uma lareira como seria incapaz de imaginar o meu príncipe encantado quente e elegante como um ferro de atiçar. Sou alguma vaca que tenha de ser marcada com as tuas iniciais, pá?
Por outro lado, uma gaja com dois dedos de testa ri-se.

→ 20/12/2006 @11:09

Super-Heróis

Autor: Gilles Barbier



[jbox title="Monólogo em Kill Bill Vol.2, de Quentin Tarantino"]Adoro livros de banda desenhada. Especialmente aqueles sobre super-heróis. Toda a mitologia à volta dos super-heróis é fascinante. Vê o meu super-herói favorito, o Super-Homem. Não é um grande livro de banda desenhada. Nem está particularmente bem desenhado. Mas a mitologia… Não é apenas excelente, é única. (…).

Tens a típica mitologia dos super-heróis: o super-herói e o alter-ego. O Batman, na verdade, é Bruce Wayne, o Homem-Aranha é Peter Parker. Precisa de vestir o uniforme para se tornar no Homem-Aranha.

É nesta característica que o Super-Homem é único. Não se torna em Super-Homem, nasceu Super-Homem. Quando acorda de manhã, ele é o Super-Homem. O seu alter-ego é Clark Kent. O seu uniforme com aquele grande S vermelho é o cobertor com o qual foi enrolado em bebé ao ser descoberto pelos Kent. Esse uniforme é a sua roupa. Quando Kent usa os óculos e o fato de homem de negócios – esse é o seu uniforme. O uniforme que utiliza para se misturar connosco.

E quais são as características de Clark Kent? É fraco… É inseguro… É covarde. Clark Kent representa o ponto de vista crítico do Super-Homem sobre a espécie humana.[/jbox]

→ 20/12/2006 @11:06

RSI e o computador

João Craveiro – o autor deste artigo – escreveu-o para participar na iniciativa Um Livro Para Oferecer. Levou para casa o livro Segurança Informática nas Organizações. Segue-se o texto do João.

Se está a ler isto, é porque está em frente a um computador; e se isto é verdade durante uma boa parte do dia, este texto é especialmente para si. A RSI (Repetitive Strain Injury — lesão por esforço repetitivo) é o nome vulgarmente dado a qualquer uma de várias lesões relacionadas com o uso repetido e/ou excessivo de determinados utensílios ou ferramentas — sendo que este texto se irá focar principalmente num: o computador. Estas lesões incidem sobre o chamado tracto superior — mãos, braços, ombros, parte superior das costas. Se dores ou dormência frequentes nas referidas partes do corpo lhe soam familiares, tem (mais) uma boa razão para continuar a ler.
Das principais causas, a mais óbvia e conhecida pela maioria é a adopção de uma má postura. Este causa acaba por ser parcialmente evitada de forma activa por muitas pessoas, pois a má postura tem efeitos directos e quase imediatos no conforto (estar mal sentado ao computador não se nota só nos efeitos a longo prazo) embora ainda proliferem alguns comportamentos por desconhecimento dos seus efeitos na saúde física — como teclar com os pulsos assentes (os apoios de pulsos são para descansar quando não se está a escrever), ou utilizar o rato a uma grande distância do teclado e/ou adoptando um mau posicionamento da mão.
Nunca consigo falar de RSI sem me lembrar do cenário que vi num guichet do Hospital de Santa Maria, onde teclado, monitor e rato se situavam em 3 peças de mobiliário distintas, com o rato a ficar praticamente atrás da funcionária se esta estiver a escrever no teclado.
Não tão óbvios, são os efeitos de períodos longos e pouco espaçados de utilização. Se a pessoa não se sentir real e notoriamente cansada, não vai fazer pausas regulares para se levantar do computador e/ou descansar a vista — e falo por mim, que mesmo consciente disto continuo a não fazer pausas com a frequência que devia.
É por causa de (e para) pessoas como eu — e como o leitor, se ainda não se levantou desde que leu o título deste texto — que existem ferramentas (programas informáticos) para fazer as vezes de conselhos terapêuticos e pôr juízo nos nossos hábitos de utilização destas máquinas do demónio sem as quais já não vivemos.O Workrave é um desses programas. É livre como um pássaro, grátis como as cervejinhas que nunca nos oferecem, e existem versões para Windows, Linux, HP-UX, Solaris, FreeBSD e para a máquina de costura da sua cunhada (OK, este não — ainda). Fala inglês, holandês, espanhol, polaco, dinamarquês, alemão, francês, chinês e russo — mas não sabe estar calado em nenhuma destas línguas. O programa controla o tempo para estipular 3 tipos de paragens.
As micro-pausas (micro-pause), mais pequenas e frequentes, servem apenas para parar de teclar e olhar para o monitor durante alguns segundos).
Os intervalos para descanso (rest break) estão definidos, por omissão, para durar 10 minutos e ocorrer a cada 45 minutos; durante estes, no monitor, são mostrados exercícios a fazer, para relaxamento dos músculos e da vista.
O terceiro tipo de paragem é o definitivo, quando é atingido um determinado limite de utilização diária do computador — 8 horas, por exemplo.
Conforme a confiança do utilizador na sua auto-determinação, é possível permitir que as pausas sejam adiáveis ou, pelo contrário, bloquear a possibilidade de interacção do utilizador durante as mesmas.

Existem outros programas do género, como o DrWright e o Xwrits — livres e gratuitos, como o Workrave — ou o Workpace — proprietário e pago (39 dólares). Há também aplicações normais que incluem uma funcionalidade para obrigar o utilizador a fazer pausas (como o editor de texto GNU/Emacs e o seu type-break-mode), e mesmo suporte nativo por parte do ambiente de utilização.
Em Linux, no ambiente GNOME, é possível definir (através do menu, em System > Preferences > Keyboard) que o ecrã seja bloqueado após um dado período de utilização (como os 45 minutos dos intervalos de descanso do Workrave) para obrigar o utilizador a descansar.
Agora, se leu o texto todo de seguida, ponha-se a andar — concerteza está na hora de uma pausa.

→ 20/12/2006 @10:07

Interlúdio

Adenda para a Arte de Blogar: se encontrares na Internet uma imagem engraçada que não conheces, verifica cuidadosamente se tem mais de uma semana antes de a publicares no blogue. Se tiver, então é «velha», «antiga», é «repost» ou já «tem mais de um ano».

E se queres manter os comentários activos em nome de todas as pessoas que têm algo de interessante para dizer, então prepara-te porque a tua paciência vai ser posta à prova várias vezes por dia.

→ 19/12/2006 @21:23

Blue Screen of Clarity

→ 18/12/2006 @23:05

Uma Foto e uma Música [34]

Foto: Ly Hoang Long (Heaven Light) | Música: Patricia Barber (The Moon)

→ 18/12/2006 @19:50

Pequenos programas, grandes falhas

Desde que a Microsoft lançou a sua própria solução de segurança – Live OneCare – perdeu a cumplicidade e bonomia das empresas que fabricam anti-vírus e firewalls. Nunca pensei viver o dia em que o Director Técnico da Panda Software Paulo Silva aconselhasse abertamente o uso de Firefox – acabou por fazê-lo em artigo já escrito para o Bits & Bytes.
Agora – reagindo a mais uma falha de segurança descoberta em versões do Microsoft Word – Paulo Silva dá uma carga de porrada na Microsoft e aconselha os utilizadores a experimentar o concorrente Open Source do Office, o OpenOffice, em artigo que publicará na próxima edição do suplemento.
As coisas mudam, nem que sejam pelas razões erradas.

O que se segue é escrito pelo Paulo Silva.

Esta semana chega-nos com a notícia da descoberta de uma terceira falha grave a afectar versões do Microsoft Word. Esta segue-se a outras duas, descobertas no início do mês, também com um elevado grau de gravidade.
Infelizmente para milhões de utilizadores em todo o mundo, a Microsoft ainda não oferece qualquer correcção para estes problemas, pelo que uma tarefa tão simples como a abertura de um documento pode criar sérios riscos aos utilizadores de um computador. Esta situação é grave por duas razões: por um lado, a Microsoft mostra mais uma vez a sua inépcia para lidar rapidamente com este tipo de situações, prolongando uma janela de oportunidades para todos os tipos de malware penetrarem as defesas dos sistemas informáticos. Isto é tanto ou mais caricato quando esta empresa, que não é capaz de lançar uma actualização em tempo útil, demorando por vezes vários meses, quer concorrer no mercado da segurança com fabricantes que chegam a lançar dezenas de actualizações por dia, sendo que muito raramente existem problemas (e um problema numa actualização de um antivírus pode ter consequências consideravelmente mais gravosas que num browser ou num editor de texto).
Por outro lado, esta situação vem mais uma vez demonstrar os perigos de correr um sistema operativo com privilégios de administração. Chegou-se a antecipar que o Windows Vista lidasse melhor com esta situação mas, depois de passar um tempo considerável com a versão final deste sistema operativo, acredito que tudo continuará na mesma, com a maioria dos utilizadores a correr o Vista como administradores da máquina e com todas as novas protecções desligadas.
Existem ainda falhas tão graves que podem ser exploradas indepentemente do nível de autenticação do utilizador, pelo que mesmo medidas como a User Account Protection do novo Windows Vista poderão ser perfeitamente inúteis. Assim, a responsabilidade principal terá de continuar a ser dos fabricantes, que cada vez mais devem apostar na produção de código seguro.
É preferível ter menos funcionalidades numa versão e passar mais tempo a inspeccionar todos os seus componentes do que perder tempo em inovações, muitas vezes cosméticas, que são consideradas prioritárias perante trabalho mais caro e menos visível – mas essencial.Os antivírus podem e devem dar uma ajuda – virá o tempo em que todos os programas deste género também se responsabilizarão por verificar se as aplicações instaladas num computador são seguras. Mas isto tem obviamente custos ao nível do desempenho: não há milagres, um antivírus com mais funcionalidades tem necessariamente que ser mais lento, pois faz mais coisas ao mesmo tempo, necessitando de mais ciclos de processamento, mais memória RAM, mais espaço em disco para guardar os seus ficheiros de assinatura e para desempenhar as operações mais complexas, etc.
Não será mais fácil que os fabricantes de software, pelo menos os que possuem maior quota de mercado, trabalhem intimamente com a indústria de segurança para tornar os seus produtos menos sujeitos a falhas? No caso do Word, duvidamos que isto aconteça. A empresa que o desenvolve e comercializa não pretende dar a mínima margem de manobra aos fabricantes de segurança, pois agora que possui um produto concorrente não vai querer ajudar os seus competidores.
Já fez o mesmo com o novo sistema operativo, dificultando ao máximo o acesso a informação sobre componentes essenciais deste, porque o faria agora com outro dos seus produtos mais bem sucedidos?
Temos que nos contentar com ter um bom antivírus a pesquisar ameaças em todos os documentos Word que utilizarmos, desde a lista de compras ao e-mail engraçado do colega de trabalho. Isto até a toda-poderosa Microsoft se dignar a fornecer aos seus clientes uma actualização de segurança. Mas talvez depois destas falhas sejam descobertas outras, pelo que, à cautela, convém sempre utilizar o antivírus. E talvez utilizar o Open Office.