29/Dezembro/2006

Hanakotoba, minha florzinha

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Um fabricante de brinquedos japonês (empresa E-revolution) está determinado a ajudar as pessoas a falar com as plantas. E construiu um par de bonequinhos aos quais chamou Hanakotoba (tradução livre: flor de comunicação). O boneco mais pequeno é colocado no vaso da planta. O maior fica numa caixa ao lado. Quando tocamos em determinadas partes da planta – o caule e as pétalas, por exemplo – o boneco maior reproduz até 200 frases. Os movimentos são reconhecidos porque o outro boneco (o mais pequenino colocado no vaso) possui um sensor em formato de varinha.

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29/Dezembro/2006

A vida receia a solidão cósmica [2]

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A missão CoRot vai varrer os céus à procura de planetas do tipo terrestre

 

Está aberta em definitivo a caça aos planetas fora do Sistema Solar – os chamados planetas exosolares. Essa caça já existe há muito tempo – o primeiro foi descoberto em Fevereiro de 1995 – mas até agora os 208 planetas que conseguimos detectar foram gigantescos corpos gasosos semelhantes a Júpiter – o que queremos agora descobrir são planetas rochosos como a nossa Terra.
Um enorme passo foi dado a 27 de Dezembro com o lançamento da missão CoRot (Convection, Rotation and Planetery Transits). A missão – liderada pelos franceses – permitirá aumentar significativamente o número conhecido de planetas exosolares. E será a primeira a conseguir detectar planetas rochosos.
Durante a sua missão de 2,5 anos, a missão CoRot monetizará com o seu conjunto de pequenos telescópios acoplados no satélite um total de 60 mil estrelas. O objectivo é descobrir planetas em trânsito – isto é, planetas que passam diante de uma estrela e temporariamente lhe ofuscam o brilho. É assim que temos detectado os outros.
Por enquanto ainda não será possível, dadas as limitações desta técnica, localizar planetas rochosos mais distantes do Sol do que, por exemplo, Vénus. Isto significa que, mesmo que estes sejam encontrados, estarão demasiado perto da estrela e terão temperaturas de superfície demasiado elevadas e incompatíveis com o surgimento de vida – mas já é um começo.

Esta não é a única limitação do programa. Não estamos ainda em condições de detectar planetas com a dimensão da Terra. O que se espera encontrar são as chamadas Super-Terras – planetas rochosos mas com pelo menos o dobro do tamanho da nossa. Também será possível detectar, pela primeira vez, luas ou anéis existentes em planetas exosolares do tipo jupiteriano.
Seja como for, esta missão irá preparar o terreno para futuras missões ainda mais ambiciosas, incluindo a SIM PlanetQuest e o Terrestrial Planet Finder (TPF) da NASA. Outra missão semelhante ao CoRot, a Kepler, também da NASA, vai arrancar em 2008.
A missão CoRoT é uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (que inclui Portugal), Austria, Espanha, Alemanha e Brasil. O satélite foi lançado ao Espaço por um foguetão Soyuz russo.

Se não podemos encontrar vida, ao menos podemos tentar descobrir locais onde sabemos que a vida pode ocorrer.
É este o principal objectivo da Missão SIM PlanetQuest da NASA (SIM é um acrónimo de Space Interferometry Mission).
A missão – prevista para a próxima década – tentará detectar planetas parecidos com a Terra – sem as limitações da actual missão CoRot. Isto significa que, a partir de 2014, estaremos em condições de descobrir planetas com massas e localizações semelhantes ao nosso e que orbitem em «zonas habitacionais», ou seja, que não estejam nem demasiado perto nem demasiado longe do Sol.
Acredita-se que um planeta deste tipo seja capaz de ter água em estado líquido na sua superfície e uma atmosfera – condições consideradas necessárias ao surgimento e sustentação da vida.
De entre as melhores 120 estrelas teoricamente candidatas a possuir um sistema solar com um planeta semelhante ao nosso, encontra-se já estabelecido que a missão conseguirá detectar planetas mais pequenos que a Terra em seis estrelas, planetas quase com o dobro do tamanho em 24 e planetas até o triplo das dimensões do nosso em redor de todos os sóis seleccionados.
Entre as seis estrelas onde a missão poderá encontrar planetas como a Terra incluem-se Sirius (a 8,57 anos/luz da Terra), Altair (a 16 anos/luz) e Alpha Centauri (a estrela mais próxima do nosso Sistema Solar, a apenas 4,39 anos/luz).

O INFERNO DE VÉNUS Esta imagem é a representação artística de um possível vulcão em Vénus. Dados revelados por anteriores missões ao planeta indicam que este é um dos geologicamente mais activos do Sistema Solar. A sonda Venus Express – em órbita no planeta – é capaz de detectar emissões de gases nas camadas inferiores da atmosfera e variações na sua temperatura – possíveis sinais de actividade vulcânica. Variações locais na temperatura e pressão atmosféricas também podem indicar actividade sísmica.
Em Vénus chovem gotas de ácido sulfúrico (mas a chuva evapora-se antes de chegar ao solo). A pressão atmosférica é equivalente à que encontraríamos a uma profundidade oceânica de 900 metros. Um dia fresco venusiano é duas vezes mais quente (450 graus) que a temperatura de um forno doméstico. A atmosfera é densa e venenosa: está cheia de dióxido de carbono (98 por cento). Se os nossos frágeis corpos terrestres fossem transportados para a superfície de Vénus seriam pulverizados em segundos: queimados, esmagados e sufocados – tudo ao mesmo tempo. Mas a investigação das condições infernais de Vénus vai muito para além de um interesse meramente astronómico: tem a ver com todos nós. Vénus é o primeiro planeta do Sistema Solar a ser vítima do chamado efeito de estufa. A Terra pode vir a ser o próximo. Outros exemplos poderão existir no Universo.

EM BUSCA DE OUTRAS TERRAS A missão Terrestrial Planet Finder é composta por dois observatórios que se complementam: um (imagem da esquerda) que detecta luz visível (será lançado em 2014) e uma formação de interferometria de infravermelhos (lançamento previsto até 2020). Ver PlanetQuest: The Movie (Formato QuickTime, 9,4 MB).

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29/Dezembro/2006

A vida receia a solidão cósmica [1]

Talvez esteja relacionado: Águas de Marte (0)
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L’étoile souffrante, de Al Magnus

Thomas MannA solidão mostra o original, a beleza ousada e surpreendente, a poesia. Mas a solidão também mostra o avesso, o desproporcionado, o absurdo e o ilícito. Thomas Mann

A Ciência também procura Extraterrestres – os astrónomos fazem-no movidos pelo mesmo tipo de convicções de quem acredita em OVNIs: a de que não estamos sós no Universo.
Outra característica comum entre os homens da Ciência e os adoradores de OVNIs é que tanto uns como outros não sabem rigorosamente nada sobre o assunto. Nunca se descobriu uma única prova inequívoca e consensual da existência de qualquer tipo de vida fora do nosso planeta – muito menos inteligente.
Mas a esperança é um homenzinho verde a dizer-nos olá. E se calhar nem precisamos de tanto. Basta-nos um pedaço de rocha do tamanho de uma laranja que possa ter uma história fantástica para nos contar. Em 1996 tivemos quase a certeza absoluta de que tínhamos encontrado uma dessas rochas.
Tudo começou quando um meteorito marciano foi descoberto na região montanhosa de Alan Hills, na Antártida, no Verão de 1984, por um grupo de caçadores de meteoritos.

Robert A. HaagOs meteoritos também são um negócio. Vendem-se à grama. Os comuns (de ferro) variam entre 0,50 a dois dólares por grama; os pétreos, mais raros, entre dois e 10 dólares. Mais de 40 empresas exploram este comércio, mas a mais lucrativa é dirigida por Robert A. Haag, «o homem-meteorito». Haag é dono da maior e mais diversificada colecção particular do mundo – já arrecadou mais de um milhão de dólares. Tem 3500 clientes em todo o mundo. Um desses clientes – um empresário japonês – pagou 532 mil euros por uma pequena selecção de meteoritos.


Não tivemos grandes dificuldades em demonstrar que o meteorito veio de Marte porque contém vestígios de gases coincidentes com aquilo que conhecemos da atmosfera marciana – e conhecemo-la muito bem desde 1976, quando a sonda da Missão Viking desceu à superfície de Marte e analisou a composição atmosférica do planeta. Resultados: dióxido de carbono (95 por cento), azoto/nitrogénio (três por cento), árgon (1,6 por cento) e vestígios de oxigénio e vapor de água.
Pensa-se que o meteorito foi arrancado de Marte há 16 ou 17 milhões de anos. Depois vagueou pelo Espaço até cair na Terra há cerca de 13 mil anos.
Não só sabemos que veio de Marte como também de que local específico. Vicky Hamilton, do Instituto de Geofísica e Planetologia da Universidade do Hawaii, identificou a origem da rocha: Eos Chasma, um dos desfiladeiros do gigantesco Valles Marineris. Tal identificação tornou-se possível depois de a cientista ter comparado os dados da espectrometria do meteorito e os resultados de vários instrumentos das sondas Mars Global Surveyor e Mars Odyssey.
A descoberta foi anunciada em Setembro do ano passado, durante um encontro da Meteoritical Society, no Tennessee, Estados Unidos.

Valles Marineris

O GRANDE CANYON MARCIANO Valles Marineris é formado por um gigantesco sistema de vales entrecruzados e profundos. Encontra-se junto à faixa do equador de Marte a leste da zona Tharsis. É o maior sistema de desfiladeiros do Sistema Solar: tem mais de 4000 quilómetros de extensão. Nalgumas zonas a profundidade atinge os 7 quilómetros. A sua área cobre um quinto da área total do globo de Marte.

 

Quando cientistas da NASA e da Universidade de Stanford analisaram o meteorito – nome de baptismo: ALH84001 – , chegaram à extraordinária conclusão de que a rocha continha fósseis de microrganismos.
O que encontraram os cientistas na rocha marciana? Encontraram Hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), aglomerados suspeitos de glóbulos minerais e estruturas que pareciam fósseis de bactérias. Primeira evidência: os PAHs são uma família de moléculas muitas vezes encontradas em meteoritos no espaço. Isto não significa que a sua origem seja biológica, mas acontece que quando um microrganismo morre também se dá a formação deste tipo de moléculas. Como a mistura deste tipo de hidrocarbonetos encontrado no ALH84001 era muito diferente da que se encontra em meteoritos no espaço, os cientistas sugeriram uma origem biológica.
Segunda evidência: a presença de pequenos glóbulos minerais – alguns deles com núcleos contendo manganésio e ferro. Estes aglomerados minerais são parecidos com os causados pelas bactérias primitivas na Terra.
Terceira evidência: a observação com microscópio electrónico mostrou pequenas estruturas que pareciam ser fósseis de bactérias – mas muito mais pequenas do que as bactérias terrestres.
O anúncio da descoberta foi feito a 6 de Agosto de 1996. David McKay, chefe da equipa de investigação, lançou de imediato um desafio aos cépticos: «Estou convencido de que encontrámos no meteorito sinais de actividade biológica primitiva em Marte. Provem que estamos errados.»

Meteorito ALH84001

As estruturas suspeitas do meteorito ALH84001

 

Muitos cientistas rejeitaram as conclusões de David McKay. Para além da possibilidade de o meteorito ter sido contaminado na Terra, alguns defenderam que processos estritamente inorgânicos seriam suficientes para explicar a presença das moléculas orgânicas detectadas na rocha. A pequena dimensão desses fósseis também tinha um contra: sendo 1000 vezes menores que a menor bactéria conhecida, pertenceriam a organismos demasiado pequenos para constituir seres viáveis.
Prova inequívoca e consensual da existência de vida extraterrestre? Continua a não existir. Um meteorito de 17 milhões de anos não é suficiente. A célebre frase «Afirmações extraordinárias requerem provas extraordinárias», atribuída a Carl Sagan, mantém-se válida. Teremos de procurar noutro lado.
Foi uma pena. Só precisávamos disso: um mísero microrganismo. Um fóssil. Um pequeno detalhe que nos dissesse que a vida pode acontecer em qualquer lado.

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26/Dezembro/2006

Não resisti ao amoroso

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Foto: Marinela Sotoncic

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26/Dezembro/2006

O blogue de Chewbacca

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Como seria se o velho e fiel companheiro de aventuras do mercenário Han Solo – Chewbacca, um dos personagens mais conhecidos e acarinhados da saga A Guerra das Estrelas – tivesse resolvido abrir o seu próprio blogue? Que tipo de blogue teria? De que assuntos falaria? Bem, fãs de Star Wars, descansem – Chewbacca tem mesmo um blogue e podem consultá-lo aqui.

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26/Dezembro/2006

A primeira dama da Internet

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Lena SjooblomChama-se Lena Sjooblom, é sueca e apareceu na edição de Novembro de 1972 da revista Playboy. Mas o que há de especial nesta senhora é o facto de a sua imagem ter andado pelos desktops de milhares de engenheiros, investigadores e especialistas no processamento digital de imagens durante mais de 25 anos. Em 1973, os investigadores da Universidade da Califórnia do Sul precisaram de uma imagem para testar a então emergente tecnologia de compressão e transmissão digital na Arpanet (precursora da Internet). Alguém tinha uma revista dessa edição da Playboy e resolveu fazer um “scan” a uma das fotos. A foto foi então enviada a laboratórios de engenharia do mundo inteiro para que os especialistas pudessem determinar os efeitos da compressão e transmissão da imagem. Acredita-se que essa foto (aqui reproduzida) é a imagem mais vista de toda a história da Internet. Lena Sjooblom passou a ser conhecida como a Primeira Dama da Internet.
A própria mulher não fazia a mínima ideia da sua fama entre investigadores de todo mundo. E mesmo a Playboy, que considerara processar os cientistas por violação de copyright, acabou por achar que ganhava mais em alinhar na história. Então, em 1997, localizou a senhora a viver na Suécia (já casada e com filhos maiores) e ajudou na organização de um encontro entre os cientistas e a ex-playmate. «Eles devem estar fartos de mim!» – Comentou Lena Sjooblom. – «Tantos anos a olhar sempre para a mesma cara!» Mas o encontro foi descrito como «espectacular». A história pode ser acompanhada aqui. A investigação em causa pode ser vista nesta página.

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26/Dezembro/2006

Pós-Natalício II

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Merry Christmas & A Happy New Year, de LesKellert

Dado que somos nós quem compramos as prendas, não é legítimo afirmar que o Pai Natal é, hoje em dia, um símbolo do nosso poder de compra? E como esse poder de compra varia de pessoa para pessoa, de região para região e de país para país, ou seja, varia entre os que nada têm e os outros, que têm quase tudo, estamos afinal a celebrar o quê?

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26/Dezembro/2006

Creatividade à solta e The Gift

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Lawrence Lessig é professor de Direito na Universidade de Stanford e antigo assistente do Juiz Antonin Scalia do Supremo Tribunal americano.
Poderia ser um típico e “cinzento” professor de Direito não fosse a sua área de especialidade ser os direitos de autor e a protecção da propriedade intelectual na Internet.
Lessig foi o primeiro a compreender o dilema que os conteúdos digitais na Internet enfrentam.
Um livro ou um disco estão há muitos anos protegidos pelas leis de Direito de Autor. Estas conferem ao seu autor a capacidade de cobrar pela sua reprodução. Mas, simultaneamente, prevê a chamada “Utilização Livre”, ou fair-use em terminologia anglo-saxónica.
Sabia que um livro pode ser integralmente fotocopiado por uma biblioteca para utilização própria? Ou que pode copiar grande parte de uma obra para fins de ensino? E, claro, pode emprestar o livro a um amigo.
Aplicar este conceito a um livro digitalizado é mais complicado pela única razão que eu não “transfiro” o livro digital ou a música de mim para o meu amigo. Eu copio-a. E ambos podem gozar a mesma em simultâneo, em suas casas, ao contrário do disco de vinil.
Para contrariar esta facilidade do mundo dos Bits, optou-se por simplesmente proibir a transferência de parte ou totalidade de um conteúdo em formato digital para terceiros sem a permissão do autor. Ou seja, a “Utilização Livre” não se aplica a este mundo.
Como pode o autor de uma música – por exemplo, o grupo The Gift – dar permissões para que a sua obra seja distribuída livremente? Tem de autorizar pessoa a pessoa?
Lessig é o pai do sistema que responde a esta questão: as licenças Creative Commons.
A licença Creative Commons, disponível em diferentes idiomas para diferentes países, permite ao autor disponibilizar, de uma forma simples, as condições de distribuição do seu trabalho, seja ele música, fotos, textos num blogue ou artigos científicos.
Permitindo que o seu trabalho possa ser copiado, ele continua a poder definir se pode ser utilizado para fins comerciais ou não, se permite modificações à obra ou se deseja que os créditos lhe sejam atribuídos obrigatoriamente.
No dia 15 de Dezembro, Lessig esteve entre nós para o lançamento oficial do 34º país a ter uma licença Creative Commons própria: Portugal.
A UMIC, a Universidade Católica e o Inteli são os responsáveis pela tradução da licença Creative Commons para português.
Este era um dos pontos do programa de Governo que a UMIC acaba de cumprir e com um impacto grande sobre produtores e consumidores de cultura.
O grupo de música The Gift é dos primeiros a usufruir desta hipótese. Um dos elementos da banda anunciou que planeiam disponibilizar metade do seu catálogo sob licença Creative Commons. Ou seja, permitindo que as mesmas sejam copiadas e editadas. Se em Portugal estamos a dar passos seguros no sentido de adaptar-nos aos novos desafios que a Internet nos coloca, temos também alguns elementos preocupantes que deviam marcar a nossa reflexão sobre o ano que se aproxima.
Em Lisboa tiveram lugar no espaço de um mês três conferências de elevada importância: a Shift – já aqui referida – o evento “Software Livre na Administração Pública” e o lançamento da Creative Commons.
A presença de público foi variável mas sempre em menor número do que o esperado.
Lessig é um dos comunicadores mais reputados, autor de três do mais importantes livros da sociedade de informação. Se isto não chegasse, o facto de ter sido retratado na série “Os Homens do Presidente” (West Wing) atesta bem o reconhecimento que goza. Contudo, a sala não tinha mais de oitenta pessoas durante a sua intervenção.
O que andamos a fazer para não ter tempo para ouvir, discutir e conhecer o que se passa no (nosso) mundo? Certamente, andamos todos adormecidos. Espero que em 2007 novos eventos nos ponham no mapa do Software Livre/Aberto (SL/A) e que, para todos os visitantes do Bitaites, este seja um ano de sucessos.

A imagem incluída significa que esta crónica e as seguintes estarão sob licença “CC”. Ou seja, que pode reproduzir o texto, modificá-lo e distribuí-lo.

Publicado por Paulo Trezentos | Categoria: Bits & Bytes | Comentários Desligados