Marco Santos
→ 08/10/2006 @23:56
Estava eu sossegado a conversar no Live Messenger quando uma janela repleta de pessoas que nem sequer fazem parte da minha lista de contactos – ver screen – se abriu de repente. Entre as mensagens, uma convidava-nos a fazer o download de um ficheiro com umas fotos muito legais: foto.exe.
Claro que descarregar um executável é meio-caminho para a desgraça e a maior parte das pessoas já não vai na conversa. Ainda assim, fiquei a pensar porque razão aquela janela do Messenger se tinha aberto. A conclusão é simples: o meu computador já se encontrava infectado com um troiano alojadinho na pasta de sistema e que chegou sem eu dar por nada.
Adivinhem qual era o programa que estava a experimentar? O combinado antivírus/firewall da Microsoft, o Live OneCare. Nada como apanhar um troiano quando se está a experimentar um software de segurança – as conclusões sobre a sua eficácia são logo definitivas: lixo!
Para todos aqueles que sofrem do mesmo problema, eis a solução:
- Não usem o Windows Live OneCare.
- Desactivem o Restauro de Sistema.
- Reiniciem o computador em Modo de Segurança [F8 quando arranca]
- Menu Iniciar, Executar [Run] e escrevam o seguinte:
cmd /c del /q /f /A C:\WINDOWS\system32\icpldrvx.exe
E carreguem no Enter.
cmd /c del /q /f /A /S C:\WINDOWS\temp*.*
Enter.
cmd /c del /q /f /A /S C:\WINDOWS\prefetch*.*
Enter.
- Executem a aplicação HijackThis (gratuita, ao contrário do Live OneCare)
Seleccionem a entrada
O4 – HKLM..\Run: [Avg Antivirus] C:\WINDOWS\system32\icpldrvx.exe
Carreguem em Fix Checked
- Não usem o Windows Live OneCare.
- Reiniciem o computador.
Marco Santos
→ 06/10/2006 @2:19

A sociedade não pode recuperar de uma escala de devastação tão épica como as bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima, a 6 de Agosto de 1945, e Nagasaki, três dias depois.
A pintora Julie Rauer estabeleceu de forma brilhante uma relação entre cartoon, manga e anime e os traumas provocados pela catástrofe. O trauma manifesta-se como uma perpétua cicatriz genética, demónio tuberculoso vindo dos abismos para desfigurar gerações inteiras.
Cicatriz, desfiguração: horrores banidos do pensamento consciente pela qualidade benigna do cartoon. Mas a ferida está mal suturada e reabre: fútil substituição do medo da morte pela imaculada tecnologia das máquinas, da frágil humanidade por estados existenciais alternativos (manga, anime).
Esta associação de Rauer – ver Persistence of a Genetic Scar – conduz-nos a à exposição online Little Boy, ocorrida 60 anos depois do lançamento da primeira bomba atómica.
Little Boy é o nome dado à bomba lançada sobre Hiroshima e agora, tantos anos depois, um exame à cultura japonesa do pós-guerra: abrem-se os olhos da arte contemporânea e das realizações multimédia.
Marco Santos
→ 06/10/2006 @0:11
5 de Outubro. Uma das maiores manifestações de professores de que há memória. Têm razão? Não têm? Será que podemos saber o que se passa no nosso país ao menos hoje? Não são os professores que ajudam a formar os nossos filhos? Não é a educação a paixão de não-sei-quem? Esperem! Fica para depois, há coisas muito mais importantes. Agenda dos telejornais: vinte minutos de noticiário sobre um mini-sequestro a uma agência bancária em Setúbal com repórteres a falar sobre o que não viram e não sabem e transeuntes entrevistados para falar sobre aquilo que não viram e não sabem. Mas… pessoal, é preciso ver que a história tem suspense, incerteza quanto ao resultado final e a presença dos GOE (Grupo de Operações Especiais, uma unidade de elite da PSP). Que pinta. Parece um filme americano. Olhem. Alguém montou em cima de uma cadeira o que parece ser um portátil. Está ali no meio da rua. Para que servirá aquela merda? Para falar com o sequestrador pela Internet, de certeza! Aquilo é uma ligação wireless, pode ser que a gente consiga ver qualquer coisa, pelo menos não tem fios a tapar! Vamos filmar o portátil durante cinco minutos e tentar perceber o que está a acontecer. Senta o rabo no sofá que isto ainda vai aquecer, bro! E assim ficamos todos feitos parvos observando um pobre repórter à caça de gambozinos para os cozinhar como factos. Depois? Futebol. Lesões. Entrevistas a jogadores.
Portugal é um transeunte no passeio da Europa: está sempre pronto a parar para falar sobre o que não vê e o que não sabe.
Paulo Trezentos
→ 03/10/2006 @1:27
A caça às bruxas é um dos principais motivos de entretenimento da humanidade nos seus tempos mais folgados. E nenhum de nós acredita em bruxas, pero que las hay, hay.
A moderna história da caça às bruxas começa pela inquisição, passa pela perseguição do III Reich aos judeus e termina com McCarthy a perseguir cineastas comunistas. Terminava. Porque isso era antes da nova campanha da ASSOFT (Associação Portuguesa de Software).
A campanha consiste em anúncios em jornais com fundo preto e um título em letras gordas “Comunicado a todas as empresas”.
O uso de negro, como em outras campanhas de caça às bruxas, é apropriado. Nesse anúncio, informa a ASSOFT que a ASAE (Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica) vai iniciar uma operação de fiscalização de software ilegal.
O anúncio complementa que “a fiscalização vai ser conduzida de forma rápida e metódica”. Ora esta é uma informação importante. Sabemos agora que a ASAE (ou a ASSOFT?) não são para balbúrdias.
Mas o melhor está para vir. “Caso suspeite de existência de software ilegal na sua empresa, deverá entrar em contacto com a ASSOFT”.
Este é o ponto em que, na caça às bruxas, desafiamos os melhores instintos do ser humano: trabalha numa fábrica de sapatos com um PC com Windows pirata? Denuncie-o através do 800 200 520.
Sim, porque segundo o anúncio, o seu chefe pode apanhar “pena de prisão até 3 anos”. Quem consegue resistir à tentação de meter o patrão 3 anos atrás das grades?
A caça está definitivamente lançada. Empregados deste país, uni-vos e denunciai à ASSOFT.
E, por favor, tentai ser mais eficientes. Segundo o site da ASAE, operações anti-pirataria desenroladas a 15 de Setembro cobrindo o Norte, LVT e Alentejo “apreenderam software no valor de 50.500 euros”. Isto enquanto 15 dias antes – numa visita à Feira de Espinho – rendera “contrafacção no valor 400.000 euros”. Ora, não se pirateia muito ou as denúncias ainda não tinham começado.
Se levarmos isto tudo mais a sério, já não é certamente um assunto para se rir: a ASSOFT é uma associação privada. A ASAE um organismo público. E, como tal, as misturas são perigosas. Dificilmente são compreensíveis porque a ASSOFT forma os inspectores e é ela própria que recebe as queixas que mais tarde são investigadas pela ASAE. Dificilmente se percebem porque no Diário Económico do dia 28.9.2006 vem noticiado que o administrador da I2S – uma empresa do Grupo BPN – afirma desconhecer a intervenção da ASAE na sua empresa e vem posteriormente o presidente da ASSOFT confirmar a mesma. Mas como é que o presidente da ASSOFT pode confirmar um processo-crime da responsabilidade da ASAE?
Note-se que a utilização ilegal de software proprietário é um crime e não está em causa. Nem tanto está em causa a importância da ASAE na protecção dos consumidores.
O que está em causa é a ASAE servir de Cobrador de Fraque à ASSOFT. E, segundo a mesma notícia, falamos de 75 inspectores formados pela ASSOFT os quais, durante oito meses, andarão nas empresas a verificar as denúncias realizadas.
Sendo uma associação privada, o relatório de contas da ASSOFT não é público e não poderemos saber quem contribui para a campanha em causa. Podemos então suspeitar que são as duas empresas que mais activamente tem estado na luta anti-pirataria.
Ironia das ironias: as grandes contas (acordos empresariais, OEM) dessas empresas não entram na facturação da sucursal portuguesa porque a fiscalidade Irlandesa é bem mais favorável. Logo, mesmo que se diminua a utilização ilegal de software, não se irá aumentar de forma significativa os impostos em Portugal e o famigerado défice continuará na mesma. Visitado pela ASSOFT, perdão, ASAE?
Primeiro aspecto: conheça os seus direitos consultando a DECO. Se tiver acesso a um jurista, analise todos os aspectos (por exemplo, Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra relativo ao processo 1159/06) e não se intimide com ameaças.
Segundo aspecto. Seja mais rápido e migre o seu software.
Mostre-lhes a licença do OpenOffice. Mostre-lhes a licença do Linux. Durma descansado.

A imagem incluída significa que esta crónica e as seguintes estarão sob licença “CC”. Ou seja, que pode reproduzir o texto, modificá-lo e distribuí-lo.
Marco Santos
→ 02/10/2006 @22:56
A música não me diz nada, mas o que interessa aqui são os videoclips – e este trabalho de um estúdio espanhol chamado No-Domain é muito criativo. Carros quadrados, DJs, raptos de OVNIS e qualquer coisa que se possa chamar história linear: é assim este vídeo. O músico – DJ Yoda – é um disc-jockey inglês muito virado para o hip-hop e que utiliza samples obscuros para criar o seu estilo único (segundo diz a Wikipédia).
A intenção do estúdio No-Domain foi criar um videoclip que lhes permitisse «desenvolver diferentes estilos e técnicas mas com um visual coerente e um tipo qualquer de história linear na base de tudo. Foi como criar uma colagem sem ser uma colagem».
Quanto ao músico, o seu primeiro álbum ainda está para sair – vai ser lançado pela Antidote Records em Outubro deste ano e vai chamar-se The Amazing Adventures of DJ Yoda.
Quem quiser descarregar o videoclip pode fazê-lo aqui no Bitaites. [Formato QuickTime, muito boa a qualidade da imagem e do som]
Marco Santos
→ 02/10/2006 @9:56
Para grande surpresa de muita gente – os Radiohead são muito protectores em relação à sua música e não permitem covers oficiais – um disco inteiro de versões alternativas dos principais temas do grupo foi oficialmente lançado em Abril deste ano. Os temas que vos deixo à consideração são três: uma interpretação apelativa de Just, feita pelo DJ Mark Ronson; uma versão esquizofrénica de Karma Police, do trio rock-jazzístico The Bad Plus; e Paranoid Android, de uma belíssima cantora, Sia, cujo tema Breathe Me foi usado no último episódio de Six Feet Under [ver post]. Oiçam e digam-me o que acham.
Marco Santos
→ 01/10/2006 @11:43
O vosso fim-de-semana? Bom? Mau? Razoável? Este sábado à noite aconteceu-me uma muito engraçada. Estava eu sossegadinho na minha varanda quando oiço uns gritos dilacerantes de mulher: parecia que estava a ser assaltada ou, ainda pior, violada. A gritaria não parava e eu comecei a ficar realmente preocupado. Enfiei os ténis à pressa, disposto a correr lá abaixo para salvar a hipotética donzela do hipotético perigo e fazer a minha boa acção da noite (ou levar uma valente coça). Foi então que me apercebi: os gritos vinham da televisão do vizinho do rés-do-chão.
Estou a ficar senil, não há mais nada a dizer sobre o caso.