31/Março/2006

Empertigaitada, bem obrigada!

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Há pessoas que andam com o rei na barriga e se dão muita importância. Eu, felizmente, sou uma dessas pessoas. O que é uma bênção, já bem me bastaram os anos de timidez liceal e a incapacidade de expressar opiniões sem corar. E gosto muito mais de mim assim.

Há que assumir essas coisas, já não somos adolescentes para perder o sono porque o amiguinho do lado não gosta de nós. E assumo, até porque posso, sou muita esperta e muita gira, e as miúdas muita espertas e muita giras podem ter narizinho empinado à vontade que não faz mal a ninguém e até lhes dá uma certa graça serem meias pespinetas.
Sei bem que não irei agradar a todos e desde que não se entre em faltas de respeito gratuitas, todos têm direito a expressar livremente a sua opinião. Até o Coisa Verde a dizer que não gosta de mim, o que é completamente incompreensível visto eu ser absolutamente adorável. E gira. Mas está no seu direito e eu defendo-o.

Aliás, eu só fiquei um bocadinho chateada por o Coisa Verde não ter dito logo directamente que a cabra convencida era eu. E dizer que eu era um bocado empertigada?! Só? Que injustiça, eu sou a MAIS empertigada!

Adoro dizer o que me vai na telha sem me preocupar se vou ferir susceptibilidades. É exactamente por isso que tenho um blogue. Para dizer o que bem entender fugindo ao politicamente correcto. Um blogue é assim uma válvula de escape, com a vantagem de só ser lido por quem quer e porque quer. Tudo voluntário e sem obrigações. Nós nem ganhamos dinheiro com isto!

Quem não gosta, não lê. É fácil. O nome do autor até vem no cabeçalho, é só fazer scroll down e passar ao seguinte. Com sorte será a descrição de um novo laptop topo de gama que fará as delícias dos menos virados aos devaneios estrogénicos. E somos todos felizes para sempre.

Publicado por Luna | Categoria: Coisas do blogue | Comentários Desligados
31/Março/2006

A cabeça decepada do cavalo é uma almofada

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Lembram-se do filme O Padrinho, do grande Francis Ford Copolla? Da proposta irrecusável de Don Corleone (Marlon Brando) a um grande produtor de cinema? De como este recusou o favor pedido, julgando-se demasiado poderoso para a família Corleone? Então lembram-se do que aconteceu a seguir: o produtor acordou de madrugada e descobriu a cabeça cortada do seu precioso cavalo de raça dentro dos lençóis. Pois bem, esta almofada pretende celebrar esse magnífico e aterrorizador momento de cinema. Há quem diga que a ideia é de mau gosto. A mim dá-me vontade de rir. E aqui vende-se.

Publicado por Marco Santos | Categoria: Cromos | Comentários Desligados
30/Março/2006

Mentiras (a óleo)

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Ernesto Arrisueño: This world is not a real place. It comes from the mind. Site

Publicado por Marco Santos | Categoria: Outras Artes | Comentários Desligados
30/Março/2006

Coitadinhos dos tugas

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O repatriamento compulsivo dos emigrantes Portugueses pelo governo Canadiano tem chocado a nação e provocado ondas de solidariedade para com os primeiros e de indignação contra o segundo.

Curiosamente, há cerca de uma semana – ainda a bomba não tinha estoirado – ouvi, boquiaberta, a opinião dos meus pares sobre a imigração em Portugal, numa saudável discussão académica. A grande maioria queixava-se despudoradamente dos imigrantes de Leste e das ex-colónias, que chegam indiscriminadamente, sem qualquer controlo, e roubam o emprego aos portugueses. E os chineses? Os chineses ainda são piores! Era tudo recambiado daqui para fora!

Isto é a opinião generalizada num país que conta com 5 milhões de emigrantes espalhados pelo mundo. Sim, são 5 milhões. Por cá somos 10. As contas fazem-se imediatamente: um terço da nossa população anda a roubar empregos a pessoas de outros países.

E agora que o governo Canadiano tomou as medidas que secretamente a maioria dos portugueses desejaria tomar contra as populações estrangeiras residentes em Portugal, cai o céu e a terra sobre a nossa cabeça. Coitadinhos dos nossos irmãos portugueses ilegais que só foram tentar a vida lá fora com um visto turístico e se tentaram legalizar como refugiados quando nem sequer há guerra nem perseguição política em Portugal. Que injustiça! E agora querem mandá-los para a terra deles, pobres coitados, não se percebe, nem sequer são pretos.

Mas não é diferente, somos todos humanos, somos todos iguais, e todos temos o direito a procurar melhores condições de vida.

P.S. – Para quem não me conhece: eu uso a ironia. A ironia é aquela figura de estilo em que se diz exactamente o oposto do que se pensa de modo a ilustrar jocosamente uma situação. Portanto não levem tudo o que digo à letra e tentem ler nas entrelinhas. Se não conseguirem não me peçam para explicar, não tenho tempo.

Publicado por Luna | Categoria: Cromos | Comentários Desligados
28/Março/2006

Stanislav Lem (1922-2006)

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Stanislav LemA história de uma estação espacial orbitando o planeta Solaris, onde o único ser vivo é um oceano inteligente, é a mais conhecida de Stanislav Lem.
A forma como esse oceano interage com os cientistas que o tentam estudar reflecte a visão do escritor de um encontro com uma existência poderosa e quase inatingível, capaz de tocar a alma dos cientistas sem relevar qualquer tipo de moralidade ou juízo humano. A um dos cientistas faz surgir um amor perdido: a mulher falecida há muito, agora uma réplica perfeita, espelho da sua própria memória, mas imortal e auto-consciente, dotada de uma força e resistência sobre-humanas.

Essas réplicas têm uma existência boa ou má? Qual a sua finalidade? A resposta não se encontra ao alcance dos conceitos humanos – e é essa ausência de resposta com sentido moral que, a pouco e pouco, vai enlouquecendo toda a tripulação.

Realizaram-se dois filmes a partir deste livro: o mais recente por Steven Soderbergh, em 2002, e o clássico, por Andrei Tarkovski, em 1972, visto na altura como a resposta cinematográfica soviética ao 2001: Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.
Stanislav Lem não gostou das adaptações. Sobre o filme americano, que o New York Times classificou como “uma história de amor”, um romance passado no Espaço, Lem afirmou: “Tanto quanto sei, o livro não era dedicado aos problemas eróticos das pessoas no Espaço (…) É por isso que se chama Solaris e não Amor no Espaço”. Da adaptação de Andrei Tarkovski, afirmou ser “uma versão de Crime e Castigo no Espaço”.
Stanislav Lem, grande escritor, escritor de ficção científica, um dos meus preferidos, morreu hoje. Tinha 84 anos.

Nota: este post recorreu a excertos do artigo escrito pela jornalista Alexandra Prado Coelho e publicado hoje no Público.

Publicado por Marco Santos | Categoria: Leituras | Comentários Desligados
28/Março/2006

Inovação. Mas qual é a pergunta?

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Se a inovação é a resposta, qual é a pergunta? A afirmação é de John Kao, guru da inovação de Sillicon Valley (SV), autor do livro Jamming e produtor do filme Sexo, Mentiras e Vídeo.
Desafiado pela Adventus, fiz parte do grupo constituído por docentes universitários, decisores da administração pública, empreendedores e jornalistas que se deslocou a SV na semana de 18 a 25 de Março para visitar oito das mais conceituadas empresas de S. Francisco, tendo ainda oportunidade de participar na conferência do PAPS – a associação de estudantes portugueses pós-graduados a residir nos Estados Unidos.
Porquê Sillicon Valley (SV)? O venture capital, financiamento de risco utilizado por empresas emergentes, está avaliado em 25 mil milhões de dólares anuais, segundo o prof. Manuel Villas Boas, da Universidade de Berkeley. Metade desse valor é investido em SV, uma área equivalente à distância entre Leiria e Setúbal, e o sítio ideal para se discutir inovação. Os outros 50% são distribuídos pelo resto do mundo.
Inovação é hoje uma palavra quase sem sentido de tanto utilizada em diferentes contextos. E John Kao tocava na parte crítica: onde queremos chegar com a Inovação e para a que perseguimos?
A visita tinha para mim um objectivo especial: perceber a dinâmica do local e como os modelos tecnológicos e de negócio emergentes se adaptam ao Software Livre/Aberto.
A hipótese de partida estava assim bem definida: há espaço para o crescimento de projectos de investigação ou empresariais na área das TI, e concretamente baseando em SL/A, em Portugal face ao contexto mundial?
Visitar a sede da Cisco e os laboratórios de investigação da Accenture, a IDEO e a Adaptative Path, a Genentech e a Biolog, para além de falar com gurus como Liisa Valikangas -sócia de Gary Hamel – e John Kao, esgotam a capacidade de síntese de qualquer um. Abordarei apenas dois casos: a Adaptative Path e a IDEO.

Adaptative Path: inovação da Web 2.0 e do AJAX
A Adaptative Path é a empresa líder do conceito de Web 2.0. O termo Web 2.0 foi cunhado por Tim O’Reilly. Em contraponto com a Web versão 1, que fomos conhecendo durante a década de 90, a realidade de hoje é de uma Web 2.0, assente na participação activa do utilizador. Ele já não é um mero consumidor de informação; é um produtor enquanto autor de Blogues, Wikis e comunidades virtuais.
A Adaptative Path é uma empresa pequena, cerca de 20 pessoas, cuja missão é criar para os clientes uma experiência de utilização dos seus sites Web diferente e que leve o utilizador a comprar.
Para isso, foram percursores de tecnologia, como a integração de Java Script, DHTML e outras tecnologias numa mistura a que se chamou AJAX.
A CEO, Janice Frasier, explicou como reduzem o tempo de desenvolvimento utilizando linguagens e plataformas como Ruby on Rails e SL/A. Assim, conseguem reduzir a necessidade de investimento e não depender de capital de risco. Apesar da dimensão, a empresa tem entre os seus clientes a Intel, Lycos e CNN. O futuro serviço do Google com estatísticas de Blogues, Measure Map, foi desenvolvido pela Adaptative Path e, como se imagina, muito bem pago.
O segredo desta empresa de SV é, tal como algumas empresas portuguesas, compreender as mudanças tecnológicas e oferecer um serviço ao cliente que é quantificável em receitas. Receitas através da venda on-line de bilhetes para cruzeiros ou de conteúdos via Web.

Publicado por Paulo Trezentos | Categoria: Bits & Bytes | Comentários Desligados
27/Março/2006

O post que nunca escreveria

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- Pediste ao teu patrão para irmos ver o jogo?
- Não, pedi ao teu.

Em Dia Nacional do Teatro, não se fala noutra coisa senão no jogo SLB – Barcelona a contar para a Liga dos Campeões. O que me parece bem. Vende. Descongestiona o engarrafamento mental. Serve de alternativa aos temas metereológicos. Diverte (em mais sentidos que um).
De um lado os ferrenhos: benfiquistas, nacionalistas, anti-barcelonistas, e outros tantos istas. Do outro lado temos os outros, cujo discurso me interessa.
Ganhar ou perder, o que interessa é que é desporto. Não posso perder o bailinho que o Barcelona vai dar. Se os nossos estão mancos, sabem fintar ou ficam sentados a ver a bola passar, pouco importa. É que os Grandes vêm cá. Os Grandes vêm cá. Pode ser que mais algum se lembre de comprar terreno, empregar mão-de-obra portuguesa, e comprar meia dúzia de tomates ao ti Manel.
Num acto mais tresloucado, papá Afonso sonha em dar a mão da filhinha ao R. Ai já está comprometido? Quando conhecer a minha filha, toma logo juízo! Pois.. Vendo bem, de Espanha nem bom vento nem bom casamento.. Mas era um sonho! Ali vai o sonho do Zé Portuga, logo toldado pelo fado.
Se o carácter do povo português sempre se pautou pelo saudosismo e pelo fado, por quê mudar o padrão do discurso? Ainda há quem acredite que nos assenta qual camisa Channel. Mude-se o Ser! Mude-se a confiança!

Mesmo nos intervenientes directos o discurso da desresponsabilização abunda. Pouca garra, muita parra, digo eu. O que nunca é bom. O galã Simãozinho adverte a equipa adversária – ou mima? – para a sua anterior relação com o clube. Digam mal de mim, dir-lhes-ei quem somos? Tirando-lhes o tapete aumenta as probabilidades de o inimigo dar um tiro no pé. Lindo menino, que só faz o que a Mãe Pátria ensinou. E, divaga (não pode ser mais que isso), ganhar é importante para continuar o sonho. Não sei se é pelo sonho que vais (ver Sebastião da Gama), rapaz, mas há que ser mais audaz. O que não implica necessariamente teatralizações. Nem dentro, nem fora das quatro linhas.
Koeman, qual Zé Portuga, também não nega o favoritismo ao Barcelona. Porque nós, triste fado, somos todos bons rapazes mas os outros é que são os melhores do mundo. E assim se consome uma Conferência de Imprensa. E papel de jornal. E a bola é redonda. E são 22 jogadores a correr atrás de uma bola. Excepto se estivermos a falar do Ricardo, que vai à frente, a trote.
Há que admitir: é um jogo de alto risco. Segundo informações de última hora a equipa adversária está toda vacinada – ao que parece – contra a gripe das aves. Cuidado, já que pode ser um factor de desequilíbrio. Depois, muito importante, já que ganhar ou perder nem sempre é desporto. No final, há que proceder à contagem de todos antes de regressarem – não vão eles dar uma de Serra Leoa e desaparecer por terras de nuestros hermanos.

Amanhã, senhores, temos teatro.

Publicado por Pecola | Categoria: Outras Artes | Comentários Desligados
27/Março/2006

Descodificando emails femininos

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Pode-se saber muito sobre uma mulher pela forma como ela se despede quando nos responde a um e-mail. Se a resposta tiver sido escrita a despachar, despede-se com um bjs. Se tiver ficado agradada com o que leu, ou o destinatário lhe merecer alguma simpatia, é provável que, ao despedir-se, escreva a palavra completa: Beijinhos. Há casos em que as mulheres usam diminutivos quando acham que vocês são uns queridos. É preciso abordar esta última situação com alguma cautela: os ursos de peluche também são uns queridos e é improvável que vocês se imaginem nesse papel, sobretudo se ela decidir guardar-vos no armário.
Se, a seguir a Beijinhos, tiver deixado um ponto de exclamação, poderá significar que é uma pessoa alegre e expansiva ou, em casos extremos, que está doidinha por abrir… – enfim, o que quer que a vossa galopante testosterona imaginar – e abraçar-vos com força. Já o uso de vários pontos de exclamação uns a seguir aos outros pode significar que a rapariga está aos pulinhos ou tem uma personalidade exagerada. Desconfiem muito se, no final, ela se despedir com um seco Beijos. Para além de denotar alguma frieza em relação ao interlocutor, é quase certo que significa um daqueles chochos rápidos que mal chegam a tocar na face, um beijo, digamos, burocrático, normalmente carimbado com um sorriso de esguelha. Se, a seguir a Beijos, tiver colocado um ponto final, temos boas razões para ficar à rasca. Para nós, homens, um ponto final é aquela bolinha que a gente aprendeu a desenhar na escola e que serve para terminar uma frase. Para elas, é mesmo um ponto final. Não se esqueçam: embora vocês prefiram que elas levem tudo a peito – por razões culturais, mas também anatómicas – na maior parte dos casos optam por levar tudo à letra, incluindo os sinais de pontuação. E prefiro nem sequer mencionar aqueles em que elas são indiscutíveis peritas: os pontos de interrogação.
Escusado será dizer que uma gaja que se despeça com Um Abraço deve ter um bigode maior que o vosso, portanto é de evitar. Neste caso sugiro que respondam à letra com um Dê cá o bacalhau, minha senhora. Não será também necessário avisar-vos do perigo que representam as que respondem usando um frívolo Com os meus cumprimentos. Tudo isto para vos dizer, cambada de machos inocentes e crédulos, que é muito mais importante a forma como uma conversa acaba do que como começa.
P.S. – Se elas nem sequer responderem ao e-mail, é muito provável que a culpa seja da Microsoft ou da Netcabo. Nunca desanimem!

Publicado por Marco Santos | Categoria: Fricções | Comentários Desligados