Arquivos anuais: 2005

→ 25/10/2005 @0:42

Chupa-mos (o dilema)

Para emagrecer, elas frequentam clínicas especializadas e submetem-se a dietas rigorosas: eles frequentam o Chupa-mos. Nunca é demais salientar o serviço público que é prestado neste fórum de discussão. O dinheiro que os putos poupam! Sim, não o conheces, nunca o visitaste e detestas quem tencione passar por lá. É normal: a gente compreende. Eu também nunca lá pus os dedos. O meu teclado está imaculado. Sempre que lá passei, e por razões estritamente académicas (escrever este post), mantive os olhos fechadinhos. Na verdade, existe alguma coisa em comum entre ouvir canções de D’Zrt e frequentar o Chupa-mos.com: quase todos o fazem, muito poucos o admitem.

→ 24/10/2005 @22:58

A face negra da indústria do Software

Eram 20:30 quando atendi o telefone fixo de casa. Do outro lado, um jornalista do Expresso a saber por que razão a utilização de Software Livre na noite eleitoral tinha causado problemas nos servidores do STAPE. Recordo que me saiu instintivamente um sonoro e mal-educado “hã?”.
O ISCTE – e a ADETTI, como seu centro associado – têm desde Julho um protocolo com o Ministério da Justiça para o desenvolvimento de uma solução de Desktop que possa gradualmente vir a reduzir a insegurança e custos do actual sistema operativo utilizado nos 22 mil PC’s do Ministério da Justiça. A esta distribuição de Linux chamou-se “Linius CM” e é totalmente baseada em SL/A (Software Livre/Aberto).
Após algumas perguntas percebi que a questão do jornalista estava relacionada com este projecto. Julguei desfazer o equívoco explicando rapidamente três conceitos informáticos/organizacionais: o Linius destina-se ao desktop e os problemas em causa foram com servidores, o Linius destina-se a processadores AMD/Intel e o Mainframe onde o problema ocorreu tem processadores Power5 e nenhum elemento do Linius esteve ou está envolvido em projectos de resultados de eleições. Na sequência dessa investigação saiu um artigo no Expresso que referia “não existir ligação entre a utilização de software livre e o problema ocorrido na noite eleitoral”.

Primeira questão: que fontes contactaram e levaram o jornalista a fazer a associação entre dois projectos tão distintos?
Na terça-feira passada, dia 18, o Ministro da Justiça deslocou-se à 1ª Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos e Liberdades para fornecer mais informações sobre o problema dos servidores na noite eleitoral.
Nessa comissão, o deputado Montalvão Machado, do PSD, fez dois tipos de acusações: que o problema do Mainframe se devia à utilização do Linius e que o ISCTE era uma “barriga de aluguer” (SIC), sendo a empresa Caixa Mágica Software a responsável pelo projecto Linius contornando-se assim a necessidade de concurso público.
O Dr. Montalvão Machado conseguiria facilmente obter esclarecimentos de alguém informado que lhe explicaria que é impossível o Linius ser utilizado no Mainframe onde o problema ocorreu e que o facto de ser utilizado Linux Caixa Mágica não significa que a empresa Caixa Mágica Software esteja envolvida. O software sob licença GPL permite que outros utilizem e alterem o código. O ISCTE e a ADETTI são, desde 1996, um dos principais centros dinamizadores do SL/A em Portugal. É lá que são desenvolvidos alguns dos produtos da Caixa Mágica Software numa inovadora parceria à americana entre centros de I&D e tecido empresarial.
Segunda questão: porque um deputado à Assembleia utilizou uma das comissões com mais tradição e nobreza da República para atacar o Linius e o Software Livre/Aberto tão fora de contexto e de razão?
Não tenho respostas directas às duas questões acima mas tenho uma série de inabaláveis certezas.

A primeira é que estávamos avisados contra possíveis manobras com vista a descredibilizar um projecto que está no início e que pode por em causa licenciamentos de software dentro do Ministério da Justiça no valor de 10 milhões de euros anuais. Já existiram projectos, como o da cidade de Munique ou o “PC conectado” no Brasil que afrontaram poderes fortíssimos e sofreram pressões ilegítimas, muitas vezes ilegais.
A segunda certeza é que responderemos com racionalidade e não entraremos no campo das insinuações. Os média – esse 4º poder do nosso sistema – também existem para explorar as relações entre deputados, ou seus parceiros de escritórios de advogados, e empresas americanas de software. Não reagiremos com fundamentalismo porque sabemos que existem multinacionais cujo modelo assenta em software proprietário mas que agem com ética e idoneidade. Não metemos tudo no mesmo saco.
Terceiro, tentar estabelecer a associação com o partido do governo não faz sentido. Trabalhámos muito bem com o XV e XVI governo, do qual Montalvão Machado fez parte. Organizámos em conjunto com a UMIC um evento para toda a administração pública no Tagus Park e, com o Ministério da Educação, instalámos 14.000 Linux Caixa Mágica nas escolas, um dos projectos mais emblemáticos do SL/A em Portugal. Também aqui sabemos, porque fomos esclarecidos pelo próprio PSD, que não existe neste partido uma oposição à utilização do SL/A na Administração Pública ou fora dela. Pelo contrário, como ficou provado pela inclusão do programa dos últimos governos PSD.
Quarto, e por fim, deixamos uma última certeza. Estaremos atentos nos próximos tempos e não esmorecemos com este tipo de ataques. Sabemos que o que escolhemos fazer mexe com interesses muito poderosos. Não tememos este jogo de poder e desde 1996 já estivemos sob pressões políticas muito maiores.
Temos confiança na nossa equipa e na nossa capacidade de criar ferramentas de software portuguesas que contribuam para uma economia mais competitiva e uma sociedade mais justa. Não desistimos. Não abrandaremos. O software Livre/Aberto está para ficar.

A imagem incluída significa que esta crónica e as seguintes estarão sob licença “CC”. Ou seja, que pode reproduzir o texto, modificá-lo e distribuí-lo.

→ 21/10/2005 @19:39

Sorrisos [5]

Foto: Vibeke, de Nina I. Andersen

→ 19/10/2005 @1:47

Foram-me ao blogue e não me pagaram

O Bitaites esteve indisponível durante uma porrada de tempo. A princípio pensei que fosse mais uma partida de Carnaval da Netcabo – sim, eu sei, não estamos no Carnaval mas afinal é da Netcabo que estou a falar – e pronto, não liguei muita importância. Depois lembrei-me de uma velha expressão que em tempos mais difíceis me ocorria quando faltava a luz em casa: “Cortaram-na, já? Grandes cabrões!”
Tal como nessa altura, o passo seguinte foi verificar, com alguma ansiedade, admito, se o corte tinha sido “geral” – ou seja, se ninguém podia visitar o Bitaites – ou se era apenas eu. Depressa verifiquei que o problema estava na WebHS e não na Netcabo – situação que, por si só, é quase tão assombrosa e surpreendente como o remate do Manuel Fernandes que deu o empate ao Benfica no jogo com o Vilarreal, dasse! Tava a ver que não! Gooooolo!

Bem. Recomponho-me para não abusar da paciência e desportivismo dos gajos do FCP que por aqui passam. Que estava eu a escrever? Ah, pois, que a merda do blogue esteve em baixo. Então pedi a um amigo meu expert na matéria para fazer o teste.

«Pá, o meu bloguinhas está em baixo!» – Escrevi eu no Messenger.
- O teu quê? Bloguinhas? Ganda mariquice.
- Pronto! O meu blogue, pá. O meu blogue muito macho e cheio de pelos no peito! O Bitaites!
- Ai está?
- Não tenho a certeza, por isso quero que vás lá ver.
- Tá bem, eu vou testar.
- Ouve, o meu desespero é tanto que até fui ver o blogue com o Internet Explorer a pensar que o problema podia estar numa configuração marada do Firefox.
- Com o Internet Explorer? Ganda nóia.
- Uma loucura, não é? Então vê-me lá essa merda, se faz favor.
- Tá bem, eu vou ver. Mas uso o Opera.
- Usa o que quiseres, ó Pavarotti da Net, mas dá uma espreitadela.

Silêncio. Cinco minutos. A janela em branco. O site em baixo.

«Então, está em baixo ou não?» – Perguntei eu.
- O quê?
- O meu blogue!
- O teu bloguinhas…?
- Vai-te lixar. Vê lá isso.
- Sim, sim, espera.

Silêncio. Cinco minutos. A janela em branco. Site em baixo.

«Então?»
- OK. Diz-me lá qual é a morada do teu blogue.
- Raios te partam. Amigo da onça! Então tu nem sequer o meteste nos bookmarks, pá? Sabes que a pior ofensa que se pode fazer a um amigo blogger é perguntar-lhe a morada do blogue oito meses depois de o ter criado? Pronto, porra, toma lá! – E dei-lhe a porcaria da morada.

Mais cinco minutos. Janela em branco. Site em baixo.

«Pois é, pá, acho que sim.» – Disse o amigo da onça.
- Achas o quê?
- O teu blogue está em loop, pá.
- Tá em quê?
- Em loop.
- Que é essa merda?
- É assim tipo parece que está ali sempre a fazer qualquer coisa e não pára.
- Isso quer dizer o quê?
- Pá, tipo quando se está a rodopiar mas não se sai do mesmo sítio.
- Ouve lá, mas estás a ver um blogue ou a patinagem artística? Tá em baixo ou não?
- Não é bem isso, está em loop.
- Em loop. Está bem.

Cinco minutos. Janela em branco. Site em baixo.

«Marco, estás aí?» – Era ele outra vez.
- Estou. Eu também já estou em loop. Sou eu aqui e o Ricardo Rocha no relvado.
- Esse Ricardo Rocha também trabalha no Bits? – (O gajo é um geek, não pesca nada de bola).
- Ya. Tem uma coluna semanal chamada Penalty’s Guide to Dummies.
- Se calhar hackaram-te o site.
- Hackaram-me o site?
- Fizeram-te a folha ao bloguinhas.
- Não fizeram nada. E é blogue, ouviste? Blogue!
- Tem todo o aspecto disso.
- Tá bem abelha. Tiraste o curso de hacker por correspondência?
- Estou-te a dizer. Foram-te ao bloguinhas e não pagaram.

Portanto, pessoal, se tiveram paciência para ler este post até ao fim, talvez já consigam perceber muito bem – como eu percebi – o que é, afinal, estar em loop.

→ 17/10/2005 @23:10

Sorrisos [4]

Foto: Davi Arzika

→ 07/10/2005 @13:59

Sorrisos [2]

→ 03/10/2005 @15:47

Let’s look at da thriller

Jack NicholsonEste vídeo tem cerca de 9 MB, mas é engraçado para quem já viu The Shining, de mestre Stanley Kubrick. The Shining é um filme de terror psicológico, um clássico do género. Jack Nicholson interpreta a figura de Jack, um escritor em busca de inspiração que aceita tomar conta de um enorme hotel durante o período de Inverno. Ele e a sua família (a mulher e o filho de seis anos, Danny) vão então viver os longos meses de Inverno em completo isolamento. Acontece, porém, que o hotel está assombrado por espíritos de anteriores ocupantes. Jack acaba por ser levado à loucura e ao assassínio da mulher e do filho. Nicholson acabaria por ser nomeado para o Óscar de Melhor Actor Principal (não ganhou), e o filme tornou-se um dos grandes clássicos do Terror.
Mas o que é engraçado neste vídeo é que se trata de um “trailer” manipulado. Usa imagens reais do filme, mas a montagem, a locução e a música são feitas com tal mestria que, em vez de um filme de terror, parece que nos está a ser apresentada uma comédia romântica produzida pela Walt Disney. Para quem viu o filme e se lembra da sensação de desconforto psicológico que provocou, revê-lo à luz desta nova apresentação torna-se, no mínimo, muito irónico. Download