
O Exorcista conta a história de uma menina possuída pelo Diabo e dos rituais de exorcismo de dois padres católicos. Quando estreou (1973), as pessoas estremeceram nas salas dos cinemas: algumas ficaram histéricas. Paramédicos foram chamados de urgência aos cinemas para atender casos de desmaio ou ataques de ansiedade. O filme foi a Garganta Funda do género de Terror: toda a gente o comentou, um sucesso absoluto nas bilheteiras.
A versão remontada pelo realizador, saída mais recentemente, em 2000, não repetiu as cenas de histeria de 1973 (nem o sucesso financeiro), mas produziu em muitos espectadores a mesma sensação gelada de desconforto ou transtorno.
Influências do Demo? Não – simples caso de aplicação das chamadas técnicas subliminares.
William Friedkin – realizador, responsável pela banda sonora, autor do livro O Exorcista – abusou desse tipo de técnicas para incutir sensações de desconforto e medo na audiência. Por exemplo, inseriu o som de vários enxames de abelhas furiosas antes das cenas de maior tensão. Esses sons foram misturados em 16 frequências diferentes, e sempre em crescendo. Em maior ou menor grau, quase todos os humanos sofrem de Apifobia – o medo das abelhas. O som de enxames furiosos é suficiente para despertar o desejo de fugir e o medo da dor.
A menina possuída, a Reagan – curioso nome –, transforma-se (ver foto). Nas cenas em que o espectador, horrorizado, observa o aspecto monstruoso da menina, sons de porcos a ser degolados e gemidos de casais no momento do orgasmo são misturados na banda sonora. Objectivo: provocar uma enorme sensação de desconforto. Friedkin contratou uma actriz – Mercedes McCambridge – para dobrar a voz da criança nessas cenas de possessão. Mercedes McCambridge tinha uma voz profunda bastante sensual.
Nem todas as técnicas subliminares são usadas para criar este tipo de efeitos mais sensacionalistas. Descobri um site onde se explicam duas técnicas usadas por pessoas de quem gosto: Jonathan Demme (n’ O Silêncio dos Inocentes) e Copolla (no filme Drácula) exemplificam como esse tipo de técnicas podem ser usadas ao serviço da arte ou de uma ideia (e não o contrário).
A mensagem subliminar é composta por informação enviada de forma oculta, sob os limites da nossa percepção consciente. Essa informação altera (ou influencia) as nossas atitudes ou vontades, podendo mesmo interferir no funcionamento do nosso organismo (muitas pessoas relataram contracções involuntárias do estômago durante as cenas mais grotescas de O Exorcista).
Uma história conhecida a respeito de mensagens subliminares envolve um publicitário, James Vicary. Em 1956 – muito antes de O Exorcista – Vicary montou um projector de slides muito veloz durante a exibição de um filme de sucesso da época (não me lembro agora do nome, mas era com a Kim Novak). O publicitário usou esse projector para inserir a frase “Drink Coke” a cada cinco segundos e a uma velocidade espantosa (1/3000 segundo). A mensagem, imperceptível mas lida pelo inconsciente, aumentou em 57,7% as vendas do refrigerante durante o intervalo. Vicary contou tudo em 1962.
Mais de 30 anos depois da experiência de Vicary, em 1989, um anúncio da Chevrolet usou um padrão sonoro de 80 ciclos por minuto – o mesmo ritmo do coração de uma mãe enquanto amamenta o filho. A ideia era associar ao carro os sentimentos de conforto, tranquilidade, prazer e segurança que um bebé sente nessas circunstâncias. Os Pink Floyd também usaram esse tipo de truques no álbum The Dark Side of the Moon (e com intenções obviamente diferentes!).
Outros exemplos: uma cadeia de supermercados dos Estados Unidos tem uma máquina que emite sons abaixo dos 20 ciclos por segundo misturados na música ambiente. O que esses sons dizem é uma simples mensagem: “Sou honesto, não roubo”. O índice de roubos nas lojas diminuiu 30 por cento.
A personagem do marinheiro Popeye foi criada após uma reunião entre o Governo e os principais produtores de espinafre, a braços com uma catastrófica falta de procura no mercado. O marinheiro Popeye (os espinafres davam-lhe força muscular como a poção mágica nos livros do Astérix) acelerou o consumo de tal maneira que até lhe ergueram uma estátua em Crystal City, no Texas, um centro produtor de espinafres muito importante.