Arquivos anuais: 2005

→ 14/11/2005 @22:55

Anedota para geeks

Numa deambulação pela Net à procura de links interessantes acabei por encontrar esta anedota. É uma história que envolve um jovem professor de Teoria da Informação no primeiro dia de aulas.

O novato teve a nítida percepção de que acabara de entrar num mundo diferente e bizarro. Os únicos sons que se ouviam na sala de aulas onde todos estavam reunidos eram os de professores dizendo um número e as gargalhadas dos outros logo a seguir. Um professor dizia, por exemplo, o número 52, havia uns segundos de pausa e, de imediato, a sala rebentava às gargalhadas. Outro levantou-se, disse “713” e toda a gente desatou a rir com gosto.
- Que se está a passar aqui? – Perguntou a um dos professores mais velhos que estava sentado ao lado.
- Estamos a contar anedotas – o outro ainda se estava a rir e limpava agora duas alegres lágrimas.
- A contar anedotas?
- Sim, estás a ver, trabalhamos aqui há tanto tempo que já conhecemos as piadas uns dos outros. São centenas delas. Sendo teóricos da informação, aplicámos um processo chamado compressão de dados. Atribuímos a cada anedota um número, do 0 ao 999. Assim poupamos muito tempo, para não falar do esforço. Queres experimentar? Basta dizeres um número qualquer entre o 0 e o 999.
O recém-chegado não ficou muito convencido, mas resolveu tentar.
Muito timidamente, arriscou:
- 477.
Em vez de se rirem às gargalhadas, os professores ficaram calados.
- Alguma coisa aqui está errada – afirmou o novato, incomodado.
- Bem, tenta outra vez.
E assim o fez.
- 318 – disse. Mas não se ouviu um pio. Bem, talvez alguns murmúrios; sorrisos, nem um.
- Vê? Alguma coisa está errada! Ninguém se está a rir!
- Sabes – respondeu o professor mais velho. – Nestas coisas não é tanto a anedota; o mais importante é a forma como a contas.

→ 14/11/2005 @3:09

Luzes sensíveis

Luzes sensíveis

Sensitive Light, online desde 2003, é o site de um cavalheiro inglês, Graham Jeffery, que se reformou prematuramente de uma empresa de informática para se dedicar à sua grande paixão: a fotografia. Embora não tenha ambições de se tornar um fotógrafo profissional, Jeffery usou parte do dinheiro recebido da empresa onde trabalhava para comprar uma câmara fotográfica e, ocasionalmente, tem recebido ofertas de trabalho para publicações de carácter comercial. Desde então, já passaram três anos, nunca mais olhou para trás. Para além de muitas dezenas de fotos (algumas excelentes), Graham Jeffery disponibiliza aos visitantes do seu site a possibilidade de descarregar imagens em boa resolução para decorar o ambiente de trabalho.

→ 10/11/2005 @16:13

O Exorcista e as técnicas subliminares

O Exorcista

O Exorcista conta a história de uma menina possuída pelo Diabo e dos rituais de exorcismo de dois padres católicos. Quando estreou (1973), as pessoas estremeceram nas salas dos cinemas: algumas ficaram histéricas. Paramédicos foram chamados de urgência aos cinemas para atender casos de desmaio ou ataques de ansiedade. O filme foi a Garganta Funda do género de Terror: toda a gente o comentou, um sucesso absoluto nas bilheteiras.

A versão remontada pelo realizador, saída mais recentemente, em 2000, não repetiu as cenas de histeria de 1973 (nem o sucesso financeiro), mas produziu em muitos espectadores a mesma sensação gelada de desconforto ou transtorno.
Influências do Demo? Não – simples caso de aplicação das chamadas técnicas subliminares.

William Friedkin – realizador, responsável pela banda sonora, autor do livro O Exorcista – abusou desse tipo de técnicas para incutir sensações de desconforto e medo na audiência. Por exemplo, inseriu o som de vários enxames de abelhas furiosas antes das cenas de maior tensão. Esses sons foram misturados em 16 frequências diferentes, e sempre em crescendo. Em maior ou menor grau, quase todos os humanos sofrem de Apifobia – o medo das abelhas. O som de enxames furiosos é suficiente para despertar o desejo de fugir e o medo da dor.

A menina possuída, a Reagan – curioso nome –, transforma-se (ver foto). Nas cenas em que o espectador, horrorizado, observa o aspecto monstruoso da menina, sons de porcos a ser degolados e gemidos de casais no momento do orgasmo são misturados na banda sonora. Objectivo: provocar uma enorme sensação de desconforto. Friedkin contratou uma actriz – Mercedes McCambridge – para dobrar a voz da criança nessas cenas de possessão. Mercedes McCambridge tinha uma voz profunda bastante sensual.

Nem todas as técnicas subliminares são usadas para criar este tipo de efeitos mais sensacionalistas. Descobri um site onde se explicam duas técnicas usadas por pessoas de quem gosto: Jonathan Demme (n’ O Silêncio dos Inocentes) e Copolla (no filme Drácula) exemplificam como esse tipo de técnicas podem ser usadas ao serviço da arte ou de uma ideia (e não o contrário).

A mensagem subliminar é composta por informação enviada de forma oculta, sob os limites da nossa percepção consciente. Essa informação altera (ou influencia) as nossas atitudes ou vontades, podendo mesmo interferir no funcionamento do nosso organismo (muitas pessoas relataram contracções involuntárias do estômago durante as cenas mais grotescas de O Exorcista).

Uma história conhecida a respeito de mensagens subliminares envolve um publicitário, James Vicary. Em 1956 – muito antes de O Exorcista – Vicary montou um projector de slides muito veloz durante a exibição de um filme de sucesso da época (não me lembro agora do nome, mas era com a Kim Novak). O publicitário usou esse projector para inserir a frase “Drink Coke” a cada cinco segundos e a uma velocidade espantosa (1/3000 segundo). A mensagem, imperceptível mas lida pelo inconsciente, aumentou em 57,7% as vendas do refrigerante durante o intervalo. Vicary contou tudo em 1962.

Mais de 30 anos depois da experiência de Vicary, em 1989, um anúncio da Chevrolet usou um padrão sonoro de 80 ciclos por minuto – o mesmo ritmo do coração de uma mãe enquanto amamenta o filho. A ideia era associar ao carro os sentimentos de conforto, tranquilidade, prazer e segurança que um bebé sente nessas circunstâncias. Os Pink Floyd também usaram esse tipo de truques no álbum The Dark Side of the Moon (e com intenções obviamente diferentes!).
Outros exemplos: uma cadeia de supermercados dos Estados Unidos tem uma máquina que emite sons abaixo dos 20 ciclos por segundo misturados na música ambiente. O que esses sons dizem é uma simples mensagem: “Sou honesto, não roubo”. O índice de roubos nas lojas diminuiu 30 por cento.

A personagem do marinheiro Popeye foi criada após uma reunião entre o Governo e os principais produtores de espinafre, a braços com uma catastrófica falta de procura no mercado. O marinheiro Popeye (os espinafres davam-lhe força muscular como a poção mágica nos livros do Astérix) acelerou o consumo de tal maneira que até lhe ergueram uma estátua em Crystal City, no Texas, um centro produtor de espinafres muito importante.

→ 09/11/2005 @3:37

Agora respira fundo

Boat huts of Lindisfarne, de Michael Haydon

→ 09/11/2005 @0:41

Oops. Enganei-me na página.

Não faz mal. São coisas que acontecem. Aposto que chegaste aqui porque estás à procura de fotos da Britney Spears descascada. Como não estarás agora interessado em arte, ciência ou tecnologia, este espaço poderá revelar-se um bocadinho decepcionante.

Não há nada mais dramático que a nudez. Pode ser bela, triste, desesperada ou cativante, e é sempre verdadeira. Mas até a nudez pode ser vestida. Por isso é que acho a pornografia tão deprimente: tem vários graus de nudez, como tudo na vida, mas procura transmitir e glorificar apenas o grau zero, o puramente carnal e masturbatório, uma nudez vestida com carne de mulher.

E, com isso, se procura disfarçar a miséria humana. Observa o olhar dessas princesas do porno. Algumas têm olhos tão inexpressivos como a boneca da Barbie. Mas em outras – menos plásticas, louras ou americanas – adivinha-se uma história desagradável e nada excitante. Outro tipo de nudez. Nudez trágica. Cansaço escavado sob os olhos, marcas no rosto, joelhos, mãos, unhas, nódoas negras nas pernas e nos braços. Nudez.

Que tem isto a ver com a Spears? Bem, a ilusão. Ilusão de música, beleza, felicidade, desejo – mas nem uma cantora pop milionária pode sustentar esse grau zero da nudez durante muito tempo.

→ 08/11/2005 @22:34

Erro 404. Blogue não encontrado.

A mensagem 404 (página não encontrada) é provavelmente o erro mais comum para quem navega na Internet. 404 é um código que indica o status de uma determinada página quando um computador (o cliente) requisita dados de um servidor http e estes não são encontrados. Antes de a página surgir no browser, já o servidor enviou o cabeçalho http contendo o estado do código. Para uma página normal, esse estado (ou status) é 200 OK, não sendo, sequer, visível ao utilizador. Se um erro é encontrado, então o famoso código 404 NOT FOUND torna-se visível. Estes códigos foram estabelecidos pela World Wide Web Consortium, em 1992. Berners-Lee baseou-se nos códigos FTP, estabelecidos desde 1990 mas delineados mais cedo, em 1985.

Esta página mostra os erros mais criativos da web.

→ 08/11/2005 @10:34

Sorrisos [9]

Foto: Anneke Bloema