Arquivos anuais: 2005

→ 05/07/2005 @18:47

Estranhos mundos

Strange World é uma série de wallpapers concebida por alguém que se identifica com o nickname de Kol. Reuni toda a série num ficheiro .Zip para quem estiver interessado [21MB]. Achei graça à mistura do estilo Teletubbie, típico dos ambientes de trabalho do XP, com elementos um bocadinho estranhos e dissonantes.

→ 05/07/2005 @11:20

Uma questão de ‘pispétiva’

Reparei agora que ultrapassei a mítica marca dos 50 mil visitantes… Como nestes últimos seis meses devo ter feito refresh à página 49 mil vezes, queria agradecer aos 1000 que costumam cá vir regularmente. Obrigado. Voltem sempre.
49 mil vezes pode parecer um bocado exagerado, eu sei. Afinal isto é um blogue, não é um tamagotchi, embora por vezes julgue ouvir uma vozinha vinda do PC a dizer actualiza-me, actualiza-me, senão eles morrem de desgosto. Fiquem tranquilos: eu não sou maluco. Ensinei o meu gato e o meu cão a carregar na tecla refresh sempre que querem comer ou têm vontade de fazer xixi. Eles trabalham por turnos. Assim não perco tempo. A minha vida não é só isto, sabiam?
Talvez por defeito de profissão, nunca seria capaz de fazer um blogue em que escrevesse apenas para o meu próprio umbigo. Agora vou abrir uma excepção porque, se virmos bem, o meu umbigo fica no topo de uma zona cada vez mais montanhosa e de grande actividade vulcânica à qual o meu filho insiste em chamar de ganda pança, pai.
- Grande? Não tá nada, filhote.
- Tá sim, pai. Olha! Olha!
- Ora, rapaz. Tu és um pivete…
- Não sou nada!
- … E os pivetes tem uma perspectiva diferente das coisas. Tudo parece maior do que realmente é.
- Que quer dizer pispétiva?
- Quer dizer que o pai tem razão. Olha. Lembras-te quando viste aquela locutora a ler o telejornal? Ficaste na sala a rir e aos pulinhos, a gritar: boca tão grande boca tão grande! Mas não é assim tão grande…
- É sim! E tu tens uma ganda pança!
Enfim, dilemas, dilemas. Continuo a actualizar o blogue regularmente ou faço-me ao ginásio para perder estas insignificantes gramas que se acumularam no abdómen? E depois, se eu não estou cá, quem controla o gato e o cão? Quem ficará a fazer refresh? A vida não é fácil para um desgraçado de um blogger.

→ 04/07/2005 @11:59

Portal da Ciência

Este sítio apresenta-se como a melhor referência na Internet para quem procura informação sobre matemática e ciência. É uma afirmação impossível de provar, mas não há dúvida que se encontra muito bem apetrechado: contém enciclopédias de Astronomia, Química, Física e biografias científicas. É uma página pessoal: o material demorou mais de 10 anos a ser recolhido e reunido, e é mantido pelo astrónomo norte-americano Eric Weisstein.

→ 30/06/2005 @13:03

Contra todas as possibilidades, o mar estragou a foto

→ 30/06/2005 @1:06

Entre irmãos

Evocar os tempos em que o luso-brasileiro Deco foi contestado na selecção nacional lembrou-me a questão das rivalidades e uma conversa muito interessante que mantive há uns bons aninhos. Foi no ano em que o grande Frank Zappa deu os célebres concertos de Barcelona: nunca mais me hei-de esquecer porque afinal estive tão perto do mestre e nunca mais se proporcionou a oportunidade de o ver ao vivo.
Estava num comboio a caminho de Madrid, eram quatro da manhã, não conseguia dormir e acabei por ficar na palheta com um espanhol que também sofria de insónias. Demos por nós a cavaquear sobre a típica rivalidade entre portugueses e espanhóis.
O tema das relações com neutros hermanos era mais sensível do que alguns podem imaginar. No fim-de-semana em que fui para Madrid, o El País tinha publicado uma reportagem que escandalizara Portugal: o jornalista andou por cá a fazer o retrato do país e as suas conclusões não tinham sido muito agradáveis para nós. Entre outros ultrajes ao panteão nacional, escreveu que Portugal, comparado com Espanha, era um país de campónios; manifestou a sua surpresa por existirem tantas campanhas de solidariedade que serviam apenas para colmatar as falhas do Estado e chamou-nos um país de Pirilampos Mágicos. Sobre as relações com Espanha, criou uma metáfora: Portugal e Espanha vivem de costas um para o outro, não como estranhos, mas como dois irmãos prontos para iniciar um duelo.
Esta reportagem foi publicada em duas partes, mas a segunda nunca chegou cá porque Cavaco Silva, então Primeiro-Ministro, ficou ofendido e foi fazer queixinhas ao colega González. O chinfrim diplomático português foi tal que, por pressão do Governo Espanhol, o El Pais decidiu suspender a publicação da restante reportagem em Portugal para evitar mais chatices. É preciso ver que, na altura, com o dinheiro fresquinho a correr da Europa, andávamos todos a navegar num caudal consumista demasiado rápido para as nossas pobres naus. Mais tarde ou mais cedo, como nos filmes, o rio acaba numa cascata enorme e lá ficamos nós a lutar para não cair por ali abaixo. Supostamente deveríamos ter usado esse dinheiro para aumentar a nossa capacidade produtiva, mas o que se verifica agora é que estamos cada vez mais transformados numa nação de prestadores de serviços.
Não admira que, assim que ultrapassei a fronteira, tenha imediatamente sentido que a apreciação do jornalista espanhol estava correcta. Bastava olhar pela janela e ver as diferenças entre campos semi-cultivados e planícies industrializadas. O tipo do comboio não tinha lido a reportagem e não se pronunciou, mas discordou da imagem dos irmãos em duelo.
- Mira. Deixa-me contar-te como é que os espanhóis realmente vêem os portugueses – começou ele. – Estás a ver o Paulo Futre? Grande jogador! Pois ele agora é o capitão da equipa do Atlético de Madrid. Sabes o que dizemos disso?
- Não.
- Dizemos assim: hijo da puta, o cabron do português, então já se viu ser capitão de uma equipa espanhola!? A gente refila, entendes? Mas deixamo-lo ser capitão.
Fiquei calado, sem perceber onde ele queria chegar.
- Supõe tu agora que, em vez de ser um português, o Futre é um jogador inglês. Nós não lhe chamamos hijo da puta nem cabron, nada disso; mas capitão de uma equipa espanhola? – Ele levantou a voz e espetou um dedo no ar, como se estivesse a fazer um discurso ou a resumir cinco ressabiados séculos de História. – Capitão de uma equipa espanhola é que também nunca podia ser, que a gente não deixava! Foda-se! Isso é que era bom!

→ 29/06/2005 @16:21

Deco

Bem sei que o assunto já tem barbas porque Deco, o luso-brasileiro, esse estupendo jogador de futebol, já é aceite pela maioria como um dos nossos. Questão arrumada.
Mas ainda me lembro de quando o assunto ocupava as conversas nos cafés: ele sente-se como tuga ou não? É legítimo que represente os superiores interesses da selecção nacional? É sincero? Sente a bandeira? Trocou a feijoada à brasileira pelo cozido à portuguesa? Devemos acreditar nisso?
Ainda antes de ter feito o primeiro jogo já eu sabia que o homem é um portuga típico e ia integrar-se bem: por exemplo, não sabia cantar o hino nacional e tinha uma vaga ideia do que foi o 25 de Abril.
Fiquei definitivamente convencido quando vi uma reportagem na televisão a propósito do regresso da equipa do FC Porto da Grécia, após mais um daqueles jogos de arromba. A equipa tinha acabado de chegar ao aeroporto. Adeptos e jornalistas rodeavam os atletas. A polémica sobre a naturalização de Deco já estava no auge e os jornalistas faziam um verdadeiro cerco ao jogador para lhe arrancar uma declaração sobre o assunto.
A forma como os jornalistas aproximam o microfone da cara das pessoas faz-me lembrar aquelas mães que tentam enfiar, à força, uma colher de sopa na boca das pobres crianças. Podem imaginar a cena, não é? O homem ia sorrindo com paciência de santo, não desviava a cara ostensivamente, mas também não dava muita conversa.
Às tantas, o cerco de repórteres e adeptos apertou-se ainda mais: os microfones, holofotes, os gajos histéricos a gritar-lhe aos ouvidos, as palmadinhas ortopédicas nas costas, enfim, Deco sentiu-se tão apertado, tão apertado, mas tão apertado, que perdeu o sorriso diplomático, marimbou-se para as câmaras, olhou de soslaio para trás e disse:
- Eeeeh lá fôooooda-sssse! Cheguem-se pra lá, caralhuuuu!
Para mim foi o suficiente. Só um portuga é que reage assim quando está apertado. Como é que, depois disto, as pessoas ainda puderam pensar que Deco não devia estar na selecção? É isso aí, bicho! Manda mais, cumpadi Deco! Afinal sempre foste dos nossos, caralhuuuu!

→ 27/06/2005 @18:03

Xadrez Jedi, de Tood Laffler