Metrosexual
Estou a ficar velho. Desconhecia o significado da palavra metrosexual. Segundo os entendidos (leia-se: Bruno Fonseca), metrosexual é usado para definir uma nova espécie de homem: um tipo que gosta de mulheres mas que também gosta de se aperaltar como elas, pois frequenta assiduamente o cabeleireiro e clínicas de embelezamento, trata as madeixas do cabelo e, garantem-me, até faz depilação.
E eu a julgar que metrosexual significa um homem que costuma andar de metro e gosta de mirar as miúdas. Não faz mal. Tudo bem. A minha definição da palavra é mais correcta. Há mais gajos assim – feios e a cheirar a cavalo – do que os amaricados que usam cuequinhas de renda enfiadas no cu. Os de carruagem, sim, são verdadeiros metrosexuais. Têm manchas de suor nos sovacos e o cabelo oleoso. Respiram ruidosamente por causa do tabaco e da falta de exercício. Babam-se todos com as miúdas. São mais numerosos do que se pensa: cheira-se sempre um em cada carruagem.
Os metrosexuais de carruagem e os de cabeleireiro têm um ponto em comum: ambos enjoam – uns por causa do suor, outros por causa do perfume.
Mas nós, homens normais, continuamos em maioria.
Aproveitem enquanto dura, meninas.
P.S. – O Bruno Fonseca garantiu-me que o conteúdo deste post poderia levar as pessoas a pensar que ele é metrosexual. Posso garantir que não é. O Bruno é um gajo porreiro. “Um mãos largas!” – pelo menos é que diz a manicure.
Need for Speed Most Wanted
Falsa entrevista ao mestre

Ó grande mestre, na sua infinita sapiência e generosidade, pode partilhar connosco, ávidos leitores, as suas últimas descobertas na blogosfera?
Calma. Também não é preciso exagerar. Mestre é suficiente. Não gosto que me coloquem num pedestal. Quando o senhor vai à casa-de-banho não larga caganitas de mármore, não é? Eu por enquanto também não. Posso dizer-lhe que conheci um blogue – Maria da Lua – muito interessante. Por lá se contam as atribulações de uma lisboeta a viver em Londres. Eu gosto. Está escrito de forma engraçada. Adoro a forma como a autora utiliza as vírgulas. Sabe, as vírgulas estão para as frases como a bateria está para o jazz: impõem o ritmo, mas também o questionam. Aprecio também no Maria da Lua a mistura entre português e inglês nas mesmas frases: parece caótica, essa tal mistura, mas aquilo está pensado para provocar o riso ou colorir a narrativa. A propósito, gosto bastante de outro blogue – o gi-gi net.
Por causa das vírgulas, também, ó mestre?
Não, embora tenha a ver com uma questão de ritmo. A autora utiliza frases curtas e pontos finais e parágrafos como se estivesse a usar pontos de exclamação. Este estilo de post não tem tanto a ver com o jazz, mas lembra-me mais o ba-na-na-nã inicial da nona sinfonia de Beethoven. Tipo ba-na-na-nã, um post, ba-na-na-nã, dois posts. E por aí fora. Eu gosto.
Ba-na-na-nã, mestre? Poderia chamar-se Sinfonia da Banana, assim!
Depressa! Alguém que me faça cócegas para ver se eu consigo rir! É um assunto urgente!
Oiça, meu caro. A próxima vez que quiser dizer uma piadinha gasta avise-me primeiro, está bem? Aproveito para ir tomar um café ou coisa assim. Além disso, o gi-gi.net tem uma imagem de umas cerejas, não tem lá bananas nenhumas.
Conhece algum blogue que use pontos de exclamação?
Conheço alguns, mas não me agradam particularmente – a maior parte são de desporto ou política. Esticam um furioso dedo no ar quando escrevem – e isso não é bem a mesma coisa. Prefiro associar o uso do ponto de exclamação à expressão de sentimentos como a exaltação, a alegria, o deslumbramento. Infelizmente leio mais frases do género Sporting! Sporting! Soares ainda é fixe! Parte a Louçã toda! Cavaco! Cavaco! Porto! Porto! É penalti, caralho!
Já não se fazem pontos de exclamação como antigamente.
Um texto sem vírgulas é um texto sem ritmo?
Considere estas palavras de um enfant terrible da nossa literatura, o Bocage: «Ó dama por quem me aflijo/Por ventura consintais/Que eu introduza o com que mijo/No por onde vós mijais?» Dependendo da reacção da dama, o ritmo pode vir a intensificar-se.
Veja também esta moda de blogues voyers, por exemplo. Começou pelo frigorífico (as pessoas partilhando de livre vontade o futuro conteúdo dos seus estômagos) e agora já mostram mãos, boca, olhos, dedos médios, enfim, andam por ali às voltas. Deve ser por isso que existe o termo blogosfera: há blogues esféricos, redondos, quadrados, há blogues que não têm ponta por onde se pegue e há os que andam por aí às voltas. Não me admira que um dia destes surja o Blogue do Com que Mijo.
Temos tempo só para mais uma pergunta. Na sua opinião, quem é o blogger mais inteligente da blogosfera?
O Burro, claro, embora ele não tenha consciência disso.
Porquê?
Bem, porque é burro!
Anedota para geeks
Numa deambulação pela Net à procura de links interessantes acabei por encontrar esta anedota. É uma história que envolve um jovem professor de Teoria da Informação no primeiro dia de aulas.
O novato teve a nítida percepção de que acabara de entrar num mundo diferente e bizarro. Os únicos sons que se ouviam na sala de aulas onde todos estavam reunidos eram os de professores dizendo um número e as gargalhadas dos outros logo a seguir. Um professor dizia, por exemplo, o número 52, havia uns segundos de pausa e, de imediato, a sala rebentava às gargalhadas. Outro levantou-se, disse “713” e toda a gente desatou a rir com gosto.
- Que se está a passar aqui? – Perguntou a um dos professores mais velhos que estava sentado ao lado.
- Estamos a contar anedotas – o outro ainda se estava a rir e limpava agora duas alegres lágrimas.
- A contar anedotas?
- Sim, estás a ver, trabalhamos aqui há tanto tempo que já conhecemos as piadas uns dos outros. São centenas delas. Sendo teóricos da informação, aplicámos um processo chamado compressão de dados. Atribuímos a cada anedota um número, do 0 ao 999. Assim poupamos muito tempo, para não falar do esforço. Queres experimentar? Basta dizeres um número qualquer entre o 0 e o 999.
O recém-chegado não ficou muito convencido, mas resolveu tentar.
Muito timidamente, arriscou:
- 477.
Em vez de se rirem às gargalhadas, os professores ficaram calados.
- Alguma coisa aqui está errada – afirmou o novato, incomodado.
- Bem, tenta outra vez.
E assim o fez.
- 318 – disse. Mas não se ouviu um pio. Bem, talvez alguns murmúrios; sorrisos, nem um.
- Vê? Alguma coisa está errada! Ninguém se está a rir!
- Sabes – respondeu o professor mais velho. – Nestas coisas não é tanto a anedota; o mais importante é a forma como a contas.
Luzes sensíveis

Sensitive Light, online desde 2003, é o site de um cavalheiro inglês, Graham Jeffery, que se reformou prematuramente de uma empresa de informática para se dedicar à sua grande paixão: a fotografia. Embora não tenha ambições de se tornar um fotógrafo profissional, Jeffery usou parte do dinheiro recebido da empresa onde trabalhava para comprar uma câmara fotográfica e, ocasionalmente, tem recebido ofertas de trabalho para publicações de carácter comercial. Desde então, já passaram três anos, nunca mais olhou para trás. Para além de muitas dezenas de fotos (algumas excelentes), Graham Jeffery disponibiliza aos visitantes do seu site a possibilidade de descarregar imagens em boa resolução para decorar o ambiente de trabalho.
O Exorcista e as técnicas subliminares

O Exorcista conta a história de uma menina possuída pelo Diabo e dos rituais de exorcismo de dois padres católicos. Quando estreou (1973), as pessoas estremeceram nas salas dos cinemas: algumas ficaram histéricas. Paramédicos foram chamados de urgência aos cinemas para atender casos de desmaio ou ataques de ansiedade. O filme foi a Garganta Funda do género de Terror: toda a gente o comentou, um sucesso absoluto nas bilheteiras.
A versão remontada pelo realizador, saída mais recentemente, em 2000, não repetiu as cenas de histeria de 1973 (nem o sucesso financeiro), mas produziu em muitos espectadores a mesma sensação gelada de desconforto ou transtorno.
Influências do Demo? Não – simples caso de aplicação das chamadas técnicas subliminares.
William Friedkin – realizador, responsável pela banda sonora, autor do livro O Exorcista – abusou desse tipo de técnicas para incutir sensações de desconforto e medo na audiência. Por exemplo, inseriu o som de vários enxames de abelhas furiosas antes das cenas de maior tensão. Esses sons foram misturados em 16 frequências diferentes, e sempre em crescendo. Em maior ou menor grau, quase todos os humanos sofrem de Apifobia – o medo das abelhas. O som de enxames furiosos é suficiente para despertar o desejo de fugir e o medo da dor.
A menina possuída, a Reagan – curioso nome –, transforma-se (ver foto). Nas cenas em que o espectador, horrorizado, observa o aspecto monstruoso da menina, sons de porcos a ser degolados e gemidos de casais no momento do orgasmo são misturados na banda sonora. Objectivo: provocar uma enorme sensação de desconforto. Friedkin contratou uma actriz – Mercedes McCambridge – para dobrar a voz da criança nessas cenas de possessão. Mercedes McCambridge tinha uma voz profunda bastante sensual.
Nem todas as técnicas subliminares são usadas para criar este tipo de efeitos mais sensacionalistas. Descobri um site onde se explicam duas técnicas usadas por pessoas de quem gosto: Jonathan Demme (n’ O Silêncio dos Inocentes) e Copolla (no filme Drácula) exemplificam como esse tipo de técnicas podem ser usadas ao serviço da arte ou de uma ideia (e não o contrário).
A mensagem subliminar é composta por informação enviada de forma oculta, sob os limites da nossa percepção consciente. Essa informação altera (ou influencia) as nossas atitudes ou vontades, podendo mesmo interferir no funcionamento do nosso organismo (muitas pessoas relataram contracções involuntárias do estômago durante as cenas mais grotescas de O Exorcista).
Uma história conhecida a respeito de mensagens subliminares envolve um publicitário, James Vicary. Em 1956 – muito antes de O Exorcista – Vicary montou um projector de slides muito veloz durante a exibição de um filme de sucesso da época (não me lembro agora do nome, mas era com a Kim Novak). O publicitário usou esse projector para inserir a frase “Drink Coke” a cada cinco segundos e a uma velocidade espantosa (1/3000 segundo). A mensagem, imperceptível mas lida pelo inconsciente, aumentou em 57,7% as vendas do refrigerante durante o intervalo. Vicary contou tudo em 1962.
Mais de 30 anos depois da experiência de Vicary, em 1989, um anúncio da Chevrolet usou um padrão sonoro de 80 ciclos por minuto – o mesmo ritmo do coração de uma mãe enquanto amamenta o filho. A ideia era associar ao carro os sentimentos de conforto, tranquilidade, prazer e segurança que um bebé sente nessas circunstâncias. Os Pink Floyd também usaram esse tipo de truques no álbum The Dark Side of the Moon (e com intenções obviamente diferentes!).
Outros exemplos: uma cadeia de supermercados dos Estados Unidos tem uma máquina que emite sons abaixo dos 20 ciclos por segundo misturados na música ambiente. O que esses sons dizem é uma simples mensagem: “Sou honesto, não roubo”. O índice de roubos nas lojas diminuiu 30 por cento.
A personagem do marinheiro Popeye foi criada após uma reunião entre o Governo e os principais produtores de espinafre, a braços com uma catastrófica falta de procura no mercado. O marinheiro Popeye (os espinafres davam-lhe força muscular como a poção mágica nos livros do Astérix) acelerou o consumo de tal maneira que até lhe ergueram uma estátua em Crystal City, no Texas, um centro produtor de espinafres muito importante.
Agora respira fundo

Boat huts of Lindisfarne, de Michael Haydon




























