31/Julho/2010

Rádio Bitaites [33]

Richard WagnerSigur RósYann TiersenJoanna NewsomElliott SmithRory GallagherMidlakeRadioheadJonsi and AlexTrans-Siberian OrchestraArt of NoiseAmanda PalmerThe Flower KingsA Silver Mt. Zion

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Marco Santos | Rádios | 13 comentários »
1/Setembro/2010

E agora, um post sobre Extraterrestres

Tina Turner

Um dia haveremos de encontrar evidências de vida extraterrestre, mas não nessas histórias de OVNIs que só servem para nos entreter os serões.

Já li muitas centenas de casos e nunca encontrei um que não pudesse ser explicado de forma racional: fenómenos atmosféricos pouco conhecidos, aviões, balões, planetas (sobretudo Vénus), simples brincadeiras ou mentiras. No entanto, o que não faltam neste mundo são profetas interplanetários e grupos proto-religiosos que não querem saber da Ciência para nada e só pretendem conquistar fiéis sem capacidade crítica.

Por exemplo, em Agosto de 1989, o Ministério da Defesa britânico recebeu várias chamadas de pessoas que afirmavam ter visto duas a três luzes no céu, luzes verdes, vermelhas e cor-de-laranja, oscilando e movendo-se da esquerda para a direita e em redor de si próprias de uma forma que nenhum engenho voador humano seria capaz de conseguir.

Eram OVNIs pilotados por homenzinhos verdes vindos do espaço exterior? Não. Eram as luzes laser de um concerto de Tina Turner. Inúmeros casos por resolver têm explicações tão triviais como esta, mas duvido que a verdade seja defendida por esses novos profetas. (Fonte)

Existem inúmeros vídeos no YouTube que os crentes no fenómeno OVNI poderão lançar-me à cara para me fazer engolir tais heresias, mas aposto que nem um se lembrará deste vídeo mostrando-nos um OVNI voando sobre Nova Iorque. Vejam-no.

Que tal? Impressionante! Ao contrário de outras filmagens do género, não existem imagens tremidas, borradas, maus enquadramentos, luzes difusas, enfim, todos esses truques que sugerem mais do que mostram. O OVNI é claramente visível.

Sugiro agora que vejam a continuação do mesmo vídeo, sobretudo na parte em que o operador de câmara faz zoom sobre o objecto voador. Vejam-no.

Que tal? Continua a ser impressionante, sobretudo pelo que a filmagem diz sobre nós e a nossa capacidade de ver apenas o que desejamos.

No dia em que descobrirmos que existe vida fora do nosso planeta estaremos perante uma descoberta tão importante como o fogo. Só precisamos de esquecer os ETs criados pelos seres humanos e seguirmos o melhor caminho possível, o da Astronomia.

Começámos a explorar o nosso planeta e a cruzar os oceanos porque os nossos conhecimentos astronómicos nos permitiram saber em que posição estávamos e para onde nos deveríamos dirigir.

Prefiro procurar respostas na Astronomia e no trabalho de centenas de astrónomos no mundo inteiro. Tal como os exploradores do passado, os astrónomos também se guiam pelas estrelas. Já descobrimos 402 estrelas com planetas e um total de 472 planetas exosolares no Cosmos. Não conseguimos ainda detectar planetas rochosos do tipo Terra porque são demasiado pequenos e ténues – mas vamos chegar lá, mais tarde ou mais cedo.

Há menos de uma semana, astrónomos usando o espectrógrafo HARPS descobriram um sistema planetário com cinco planetas em órbitas estáveis à volta da estrela HD 10180, uma estrela do mesmo tipo que o nosso Sol e que se encontra a 127 anos-luz de distância. Os cientistas acreditam que poderão existir mais dois planetas, sendo um deles o mais pequeno alguma vez descoberto. (Fonte)

A sonda Spirit fotografou uma porção da superfície de Marte – baptizaram-na de afloramento comanche – cuja composição química sugere que a água que outrora terá corrido no planeta vermelho não era tão ácida como pensávamos – logo, aumentam as hipóteses de há vários milhões de anos a vida ter surgido em algumas regiões de Marte. Só precisamos de descobrir fósseis marcianos. (Fonte)

No caminho que nos conduzirá à maior descoberta da História da Humanidade, prefiro acompanhar as maravilhas que nos revela a Astronomia do que as histórias da carochinha contadas pelos profetas dos OVNIs.

30/Agosto/2010

Isto não é um post

Colírio blogosférico

Sabiam que o interesse sexual é potenciado pela dopamina, uma hormona dos neurónios produzida pelo hipotálamo e que provoca a libertação de testosterona? Eu sei, o Bitaites acabou de potenciar a vossa cultura geral e vocês estão muito gratos.

Aliás, é devido à dopamina que cerca de 99 por cento dos homens ainda não conseguiu ler este post. Isto nem é um post, é colírio blogosférico, uma forma fácil de dilatar-vos as pupilas.

Por outro lado, os visitantes do sexo feminino poderão considerar, como fez o escritor Guy de Maupassant, que o rabo das mulheres é tão monótono como o espírito dos homens.

Que seja então o colírio blogosférico: o Bitaites está de volta.

Há um mês que não mexia no computador durante mais de um minuto – o tempo suficiente para ver se o blogue continuava de pé e pouco mais. Tenho toneladas de emails para rever, mas sinto-me revigorado e pronto a continuar o que, para mim, sempre foi um trabalho feito com gosto: escrever e manter este blogue.

Nada na minha vida se alterou: continuo desempregado, mas depois destes dias de reclusão sinto-me finalmente preparado para não escrever uma linha sobre o assunto.

Marco Santos | Pessoal | 39 comentários »
23/Julho/2010

Músicas que me arrepiam até à raiz dos cabelos (V)

O blues, a base do jazz. Uma cantora com uma voz única: conta José Duarte que a primeira vez que tocou um disco de Billie Holiday na rádio o locutor reagiu, alarmado: «Está na rotação errada!». Não, não estava, a voz dela é mesmo assim. Depois os músicos que a acompanham neste especial da CBS, gravado em 1957, dois anos antes da morte da cantora: Ben Webster, um fadista a solar, Coleman Hawkins, enérgico, Lester Young, frágil e nostálgico (também morreu dois anos depois), Gerry Mulligan, lírico – cada um com o seu estilo, técnica e personalidade.

Na sua essência, creio, é isto o jazz. O vídeo expõe-nos este maravilhoso estilo de música. E se este tema, Fine and Mellow, se encontra nesta série de momentos arrepiantes deve-se precisamente a este grande momento de televisão: vejam como Billie Holiday reage aos solos de cada um dos músicos que a rodeam, às vezes com uma expressão de reconhecimento (Hawkins), surpresa (Mulligan) ou profunda cumplicidade (Lester Young). O Jazz, neste vídeo, surge-nos como pura poesia.

Marco Santos | Vídeos | 11 comentários »
23/Julho/2010

Suporte aos ficheiros .cue em Linux (e Mac!)

Várias vezes me perguntaram – por email ou nos comentários – sobre players com suporte para as .cue sheet das rádios. Como eu uso o Foobar via Wine em Linux, nunca me preocupei muito. Mas a renderização de fontes do Foobar é horrível em Linux, pelo que é sempre melhor usar software nativo.

Esta página contém uma lista de vários players com suporte para .cue sheets que os utilizadores de Linux podem experimentar. Espero que tenha ajudado.

Actualização: utilizadores Mac têm uma alternativa gratuita chamada Vox (gratuito) com suporte a cue sheets.

Marco Santos | Cenas Geek | 6 comentários »
23/Julho/2010

Any Cover You Like

Covers de Pink Floyd

Os que acompanham este blogue já sabem que esta é a prometida segunda parte da mixtape de covers dos Pink Floyd. Os que aqui chegaram agora podem começar por este post. Sem mais considerações, algumas notas sobre esta mix.

Depois de o projecto ter sido recusado por várias editoras, Tim Elsenburg, guitarrista e principal compositor da banda inglesa Sweet Billy Pilgrim, comprou um portátil MAC, um Power Book, usou o Pro Tools – software profissional de edição e produção áudio – um «excelente microfone» e o ambiente acústico de uma simples barraca de jardim (fonte: Wikipédia) para gravar os primeiros temas.

É esta banda que inicia a segunda parte desta mix de covers dos Pink Floyd, com uma das versões mais bizarras da faixa que abre, de forma «pesada», o disco The Wall. In The Flesh é cantado com um enorme desprendimento emocional e uma escolha de instrumentos completamente inusitada – aliás, em muitos dos covers às faixas desse disco essa distanciação ocorre: sendo Roger Waters o supremo intérprete dos seus dramas nas versões originais, fico com a impressão de que muitos músicos optam por uma distância prudente em relação ao estilo mais histriónico de Waters.

Isso nota-se também na faixa seguinte, o hino Another Brick In The Wall (Part 2), desta vez recriado pelos Slaraffenland – uma banda de pop/rock experimental da Dinamarca: o The Wall é pessoal, muito pessoal; tal como a designação Pink Floyd resultou da junção de dois nomes – os bluesman Pink Anderson e Floyd Council –, também o personagem Pink do disco e do filme resulta da justaposição de duas histórias e duas pessoas: Waters e os seus dramas de infância e a progressiva deterioração mental de Syd Barrett. Waters usou os seus próprios traumas para contar e explicar o isolamento do fundador da banda.

Na terceira cover desta mix, outra vez o mesmo desprendimento dramático: trata-se de The Trial, o momento mais operático do disco, cantado pela voz bonita e bem-educada de Simon Bookish. Bookish vem da música clássica, é esta a sua escola, mas ao ouvi-lo cantar lembro-me (muito vagamente, claro) dos tempos remotos em que devorava óperas-rock do Andrew Lloyd Webber. Mas esta é uma excelente cover, porque gosto da voz dele e porque os violinos parecem ter sido tocados pelo espírito de Philip Glass.

A faixa seguinte, The Great Gig in the Sky, tinha sido originalmente pensada para fechar a mix – infelizmente, não encontrei nenhuma cover à altura. Então entrou esta versão sinfónica da London Philharmonic Orchestra, bem bonita, por sinal.

Será Roger Waters tão visceral assim, a ponto de transmitir a sensação de que as melodias se tornam mais doces e suaves quando interpretadas por outros? Vejam, na quinta faixa, a cover de Goodbye Blue Sky, dos Snowbird, uma banda inglesa muito pouco conhecida que disponibiliza alguns temas para descarregar na sua página oficial. Serão mesmo bombardeiros que sobrevoam céus cobertos de sangue ou pequenos e encantadores pássaros de neve?

A faixa seguinte é o regresso à normalidade: uma versão muito porreira de Corporate Clegg, escrita por Roger Waters para o segundo disco da banda, A Saucerful of Secrets. Quem a interpreta é Morgan Samarin e Hull LLP, sobre quem não sei absolutamente nada.

À sétima faixa, estamos outra vez em modo WTF. É mais uma versão de Another Brick In the Wall (Part 2), mas em estilo rap. Eu não tenho nada contra o rap como fenómeno cultural – os meus ouvidos, já traumatizados pelo rap postiço e exibicionista das estrelas da MTV, simplesmente preferem outras músicas. Neste caso, o que me cativou foi a recriação da letra de Big Lee, um importante rapper da cena nova-iorquina da década de 90 e que acabou por ser assassinado a tiro em 1999, pouco antes de lançar o segundo disco.

Conhecem a versão original Young Lust, certo? Esta cover de John Law é feita em modo pop-rock ressaca. O que é extraordinário é que John Law é um pianista de jazz com formação clássica, esta é uma versão totalmente inesperada que o leva a seguir caminhos muito diferentes do que é habitual. Oiçam.

A versão de Time tocada com a guitarra a fazer ta-na-na, ta-na-na, como se fosse uma música dos Fischer-Z? Não, esperem: agora já parece reggae. E aquela guitarra não faz lembrar o estilo ska dos velhinhos Madness? E a tipa que canta como se não tivesse pressa nenhuma? Desisto, oiçam vocês. É interpretada por Kelsey Wood (quem? Pois, eu também não conheço) e é o momento verdadeiramente WTF desta mixtape.

Os Billion Stars são uma banda americana da Califórnia e fazem aqui uma bela cover de Lucifer Sam, composta pelo primeiro génio dos Pink Floyd, Syd Barrett. Brook Claman (quem? Não sei) também recria uma boa versão de Let There Be More Light. O mesmo para a versão de Jugband Blues, outra de Syd Barrett, tocada pelos Eden, uma banda belga.

Crippled Black Phoenix é uma banda inglesa de post-rock composta por elementos de outras bandas (Iron Monkey, Gonga, Mogwai e Electric Wizard, entre outras). A versão de Run Like Hell não foge muito ao estilo da original, mas ouve-se bem. Segue-se uma versão de See Emily Play, o segundo single lançado pelos Pink Floyd da era Barrett, interpretada por James Combs. Combs é um músico de Los Angeles conhecido sobretudo por ter formado com a irmã April (vocalista) uma banda de art-rock chamada Arson Garden.

Segundo a Wikipédia, os Sky Cries Mary são um grupo de trance rock oriundo de Seattle. A sua cover de Wots… Uh the Deal é das melhores que já ouvi. O mesmo sucede com Hey You, a faixa seguinte, de S.A.M., que não conheço. Procurei na net e só encontrei referências a uma estação de rádio.

As últimas quatro faixas desta mix são todas do mesmo disco, um tributo aos Pink Floyd editado em 2005 e praticamente despercebido. O álbum foi projectado pelo ex-Yes Billy Sherwood e reuniu uma série notável de músicos, incluindo Dweezil Zappa (sim, é o filho de Frank Zappa), Aynsley Dunbar, Tony Levin (dos King Crimson) e Vinnie Colaiuta, entre outros.


Any Cover You Like

Descarregar o ficheiro .cue (salvar como)

Marco Santos | Música | 15 comentários »
21/Julho/2010

Um hotel à volta do aquário

Aquário no hotel

Um imenso aquário à entrada do Hotel Radisson Blu, em Berlim. Mais fotos. Hotel aqui.

Aquário no hotelAquário no hotel

Marco Santos | Links | 2 comentários »
21/Julho/2010

Músicas que me arrepiam até à raiz dos cabelos (IV)

O prelúdio de Tristão e Isolda, de Wagner: música que se ouve de olhos fechados, pelo que o elemento vídeo aqui não é tão importante. Parafraseando um comentador no YouTube, «se me paran los pelos del culo. Increible.»
(Nota: o vídeo termina um minuto antes do prelúdio chegar ao fim, mas o que está lá é suficiente para se ter uma ideia, acreditem. E escolham a opção Watch in HD para uma melhor qualidade de som!)

Marco Santos | Vídeos | 7 comentários »
21/Julho/2010

O maior berlinde do mundo

Se Deus existe deve gostar de jogar ao berlinde, a julgar pelas bolinhas rochosas e gasosas que dispôs no Universo. O seu dedo é a força da gravidade e, de vez em quando, ocorrem umas colisões entre berlindes – é inevitável. Como qualquer gajo que já jogou ao berlinde sabe, convém ter sempre um abafador: são os chamados buracos negros. Nunca fui grande fã de bilhar, pelo que prefiro a teoria do berlinde. De qualquer maneira, não gosto de imaginar um ser supremo com um taco cósmico na mão.

Sim, eu sei, não é uma explicação muito científica e não possui qualquer valor teológico, é uma desbunda inconsequente, mas fiquei impressionado com o tamanho deste berlinde.

Gigantesca estrela

Basta olhar para a ilustração para se ter uma ideia da imensidão da estrela descoberta através do VLT (Very Large Telescope): à esquerda, uma estrela anã vermelha; ao lado, uma estrela do tipo Sol; uma anã azul, na verdade um gigante comparado com a nossa; finalmente, tão grande que nem cabe no enquadramento da ilustração, a estrela R136a1, com uma massa actual de cerca de 265 massas solares e uma massa de 320 vezes a massa do Sol na altura do seu nascimento.

A estrela faz parte de um enxame estelar composto por estrelas jovens, quentes e de grande massa, situada no interior da Nebulosa da Tarântula, numa das nossas galáxias vizinhas, a Grande Nuvem de Magalhães, a 165 mil anos-luz de distância. A ESO divulga os seus relatórios para a imprensa em português, pelo que podem consultar o original e pirar-se deste blogue herege o mais depressa possível.




Ainda mexe

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