31/Julho/2010

Rádio Bitaites [33]

Richard WagnerSigur RósYann TiersenJoanna NewsomElliott SmithRory GallagherMidlakeRadioheadJonsi and AlexTrans-Siberian OrchestraArt of NoiseAmanda PalmerThe Flower KingsA Silver Mt. Zion

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23/Julho/2010

Músicas que me arrepiam até à raiz dos cabelos (V)

O blues, a base do jazz. Uma cantora com uma voz única: conta José Duarte que a primeira vez que tocou um disco de Billie Holiday na rádio o locutor reagiu, alarmado: «Está na rotação errada!». Não, não estava, a voz dela é mesmo assim. Depois os músicos que a acompanham neste especial da CBS, gravado em 1957, dois anos antes da morte da cantora: Ben Webster, um fadista a solar, Coleman Hawkins, enérgico, Lester Young, frágil e nostálgico (também morreu dois anos depois), Gerry Mulligan, lírico – cada um com o seu estilo, técnica e personalidade.

Na sua essência, creio, é isto o jazz. O vídeo expõe-nos este maravilhoso estilo de música. E se este tema, Fine and Mellow, se encontra nesta série de momentos arrepiantes deve-se precisamente a este grande momento de televisão: vejam como Billie Holiday reage aos solos de cada um dos músicos que a rodeam, às vezes com uma expressão de reconhecimento (Hawkins), surpresa (Mulligan) ou profunda cumplicidade (Lester Young). O Jazz, neste vídeo, surge-nos como pura poesia.

Marco Santos | Vídeos | 2 comentários »
23/Julho/2010

Suporte aos ficheiros .cue em Linux (e Mac!)

Várias vezes me perguntaram – por email ou nos comentários – sobre players com suporte para as .cue sheet das rádios. Como eu uso o Foobar via Wine em Linux, nunca me preocupei muito. Mas a renderização de fontes do Foobar é horrível em Linux, pelo que é sempre melhor usar software nativo.

Esta página contém uma lista de vários players com suporte para .cue sheets que os utilizadores de Linux podem experimentar. Espero que tenha ajudado.

Actualização: utilizadores Mac têm uma alternativa gratuita chamada Vox (gratuito) com suporte a cue sheets.

Marco Santos | Cenas Geek | 6 comentários »
23/Julho/2010

Any Cover You Like

Covers de Pink Floyd

Os que acompanham este blogue já sabem que esta é a prometida segunda parte da mixtape de covers dos Pink Floyd. Os que aqui chegaram agora podem começar por este post. Sem mais considerações, algumas notas sobre esta mix.

Depois de o projecto ter sido recusado por várias editoras, Tim Elsenburg, guitarrista e principal compositor da banda inglesa Sweet Billy Pilgrim, comprou um portátil MAC, um Power Book, usou o Pro Tools – software profissional de edição e produção áudio – um «excelente microfone» e o ambiente acústico de uma simples barraca de jardim (fonte: Wikipédia) para gravar os primeiros temas.

É esta banda que inicia a segunda parte desta mix de covers dos Pink Floyd, com uma das versões mais bizarras da faixa que abre, de forma «pesada», o disco The Wall. In The Flesh é cantado com um enorme desprendimento emocional e uma escolha de instrumentos completamente inusitada – aliás, em muitos dos covers às faixas desse disco essa distanciação ocorre: sendo Roger Waters o supremo intérprete dos seus dramas nas versões originais, fico com a impressão de que muitos músicos optam por uma distância prudente em relação ao estilo mais histriónico de Waters.

Isso nota-se também na faixa seguinte, o hino Another Brick In The Wall (Part 2), desta vez recriado pelos Slaraffenland – uma banda de pop/rock experimental da Dinamarca: o The Wall é pessoal, muito pessoal; tal como a designação Pink Floyd resultou da junção de dois nomes – os bluesman Pink Anderson e Floyd Council –, também o personagem Pink do disco e do filme resulta da justaposição de duas histórias e duas pessoas: Waters e os seus dramas de infância e a progressiva deterioração mental de Syd Barrett. Waters usou os seus próprios traumas para contar e explicar o isolamento do fundador da banda.

Na terceira cover desta mix, outra vez o mesmo desprendimento dramático: trata-se de The Trial, o momento mais operático do disco, cantado pela voz bonita e bem-educada de Simon Bookish. Bookish vem da música clássica, é esta a sua escola, mas ao ouvi-lo cantar lembro-me (muito vagamente, claro) dos tempos remotos em que devorava óperas-rock do Andrew Lloyd Webber. Mas esta é uma excelente cover, porque gosto da voz dele e porque os violinos parecem ter sido tocados pelo espírito de Philip Glass.

A faixa seguinte, The Great Gig in the Sky, tinha sido originalmente pensada para fechar a mix – infelizmente, não encontrei nenhuma cover à altura. Então entrou esta versão sinfónica da London Philharmonic Orchestra, bem bonita, por sinal.

Será Roger Waters tão visceral assim, a ponto de transmitir a sensação de que as melodias se tornam mais doces e suaves quando interpretadas por outros? Vejam, na quinta faixa, a cover de Goodbye Blue Sky, dos Snowbird, uma banda inglesa muito pouco conhecida que disponibiliza alguns temas para descarregar na sua página oficial. Serão mesmo bombardeiros que sobrevoam céus cobertos de sangue ou pequenos e encantadores pássaros de neve?

A faixa seguinte é o regresso à normalidade: uma versão muito porreira de Corporate Clegg, escrita por Roger Waters para o segundo disco da banda, A Saucerful of Secrets. Quem a interpreta é Morgan Samarin e Hull LLP, sobre quem não sei absolutamente nada.

À sétima faixa, estamos outra vez em modo WTF. É mais uma versão de Another Brick In the Wall (Part 2), mas em estilo rap. Eu não tenho nada contra o rap como fenómeno cultural – os meus ouvidos, já traumatizados pelo rap postiço e exibicionista das estrelas da MTV, simplesmente preferem outras músicas. Neste caso, o que me cativou foi a recriação da letra de Big Lee, um importante rapper da cena nova-iorquina da década de 90 e que acabou por ser assassinado a tiro em 1999, pouco antes de lançar o segundo disco.

Conhecem a versão original Young Lust, certo? Esta cover de John Law é feita em modo pop-rock ressaca. O que é extraordinário é que John Law é um pianista de jazz com formação clássica, esta é uma versão totalmente inesperada que o leva a seguir caminhos muito diferentes do que é habitual. Oiçam.

A versão de Time tocada com a guitarra a fazer ta-na-na, ta-na-na, como se fosse uma música dos Fischer-Z? Não, esperem: agora já parece reggae. E aquela guitarra não faz lembrar o estilo ska dos velhinhos Madness? E a tipa que canta como se não tivesse pressa nenhuma? Desisto, oiçam vocês. É interpretada por Kelsey Wood (quem? Pois, eu também não conheço) e é o momento verdadeiramente WTF desta mixtape.

Os Billion Stars são uma banda americana da Califórnia e fazem aqui uma bela cover de Lucifer Sam, composta pelo primeiro génio dos Pink Floyd, Syd Barrett. Brook Claman (quem? Não sei) também recria uma boa versão de Let There Be More Light. O mesmo para a versão de Jugband Blues, outra de Syd Barrett, tocada pelos Eden, uma banda belga.

Crippled Black Phoenix é uma banda inglesa de post-rock composta por elementos de outras bandas (Iron Monkey, Gonga, Mogwai e Electric Wizard, entre outras). A versão de Run Like Hell não foge muito ao estilo da original, mas ouve-se bem. Segue-se uma versão de See Emily Play, o segundo single lançado pelos Pink Floyd da era Barrett, interpretada por James Combs. Combs é um músico de Los Angeles conhecido sobretudo por ter formado com a irmã April (vocalista) uma banda de art-rock chamada Arson Garden.

Segundo a Wikipédia, os Sky Cries Mary são um grupo de trance rock oriundo de Seattle. A sua cover de Wots… Uh the Deal é das melhores que já ouvi. O mesmo sucede com Hey You, a faixa seguinte, de S.A.M., que não conheço. Procurei na net e só encontrei referências a uma estação de rádio.

As últimas quatro faixas desta mix são todas do mesmo disco, um tributo aos Pink Floyd editado em 2005 e praticamente despercebido. O álbum foi projectado pelo ex-Yes Billy Sherwood e reuniu uma série notável de músicos, incluindo Dweezil Zappa (sim, é o filho de Frank Zappa), Aynsley Dunbar, Tony Levin (dos King Crimson) e Vinnie Colaiuta, entre outros.


Any Cover You Like

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Marco Santos | Música | 14 comentários »
21/Julho/2010

Um hotel à volta do aquário

Aquário no hotel

Um imenso aquário à entrada do Hotel Radisson Blu, em Berlim. Mais fotos. Hotel aqui.

Aquário no hotelAquário no hotel

Marco Santos | Links | 2 comentários »
21/Julho/2010

Músicas que me arrepiam até à raiz dos cabelos (IV)

O prelúdio de Tristão e Isolda, de Wagner: música que se ouve de olhos fechados, pelo que o elemento vídeo aqui não é tão importante. Parafraseando um comentador no YouTube, «se me paran los pelos del culo. Increible.»
(Nota: o vídeo termina um minuto antes do prelúdio chegar ao fim, mas o que está lá é suficiente para se ter uma ideia, acreditem. E escolham a opção Watch in HD para uma melhor qualidade de som!)

Marco Santos | Vídeos | 6 comentários »
21/Julho/2010

O maior berlinde do mundo

Se Deus existe deve gostar de jogar ao berlinde, a julgar pelas bolinhas rochosas e gasosas que dispôs no Universo. O seu dedo é a força da gravidade e, de vez em quando, ocorrem umas colisões entre berlindes – é inevitável. Como qualquer gajo que já jogou ao berlinde sabe, convém ter sempre um abafador: são os chamados buracos negros. Nunca fui grande fã de bilhar, pelo que prefiro a teoria do berlinde. De qualquer maneira, não gosto de imaginar um ser supremo com um taco cósmico na mão.

Sim, eu sei, não é uma explicação muito científica e não possui qualquer valor teológico, é uma desbunda inconsequente, mas fiquei impressionado com o tamanho deste berlinde.

Gigantesca estrela

Basta olhar para a ilustração para se ter uma ideia da imensidão da estrela descoberta através do VLT (Very Large Telescope): à esquerda, uma estrela anã vermelha; ao lado, uma estrela do tipo Sol; uma anã azul, na verdade um gigante comparado com a nossa; finalmente, tão grande que nem cabe no enquadramento da ilustração, a estrela R136a1, com uma massa actual de cerca de 265 massas solares e uma massa de 320 vezes a massa do Sol na altura do seu nascimento.

A estrela faz parte de um enxame estelar composto por estrelas jovens, quentes e de grande massa, situada no interior da Nebulosa da Tarântula, numa das nossas galáxias vizinhas, a Grande Nuvem de Magalhães, a 165 mil anos-luz de distância. A ESO divulga os seus relatórios para a imprensa em português, pelo que podem consultar o original e pirar-se deste blogue herege o mais depressa possível.

20/Julho/2010

Careful With That Cover, Eugene

Careful!

Esta é a primeira parte (ou o Lado A, se preferirem) de uma mixtape toda ela com covers de músicas dos Pink Floyd. Embora faça parte das emissões da Rádio Bitaites (nas tags é a MixTape 26), resolvi fazer desta um post normal.

Não incluí covers mais óbvias como as versões dub dos Easy Star All Stars ou a desbunda electrónica dos The Flaming Lips, preferi nomes e versões menos conhecidas. Importante também foi escolher interpretações que provocassem nos fãs dos Pink Floyd o efeito WTF (internetês da expressão inglesa que transmite espanto e incredulidade, What The Fuck). A segunda parte sairá daqui a uns dias.

Seguem-se algumas notas sobre os músicos desta mixtape.

Os Rat Hat Blue (a designação da banda foi retirada de uma canção dos Deep Purple do álbum Who Do We Think We Are, de 1973) eram uma banda de Los Angeles. O grupo foi contratado pela Atlantic Records em 1999. Um processo de reestruturação que afectou então a indústria discográfica levou a Atlantic a deixar cair a banda – e, com ela, o seu disco de estreia, Out With My Friends, já finalizado. O álbum pode ser livremente descarregado a partir desta página, de onde esta informação foi retirada. A sua contribuição para esta mix é feita por uma versão infame do The Wall, condensado em seis minutos de colagens: o zapping aplicado à música.

Harvette é outra banda de Los Angeles, composta pelo vocalista, guitarrista e compositor Danny Allen, o baixista Dave Chapple e o percussionista Mich Kink, também conhecido por ser um dos designers responsáveis pelas cores da série de animação Family Guy. A banda interpreta uma das pérolas da era Syd Barrett, Bike.

Sally Semrad é uma cantora do Texas – «um diamante», como escreveu Duane Leyva na crítica ao seu álbum de estreia. A sua voz quente, doce, quase maternal, interpreta Wish You Were, escrito em memória de Syd Barrett, como se estivesse ali só para nos dar colinho.

Mike Keneally nasceu para o mundo da música quando integrou a banda que Frank Zappa formou para a digressão de 1988 – a última. Keneally é, por direito próprio, um dos melhores guitarristas da actualidade e um dos mais interessantes músicos que já ouvi. Qualquer álbum que gravou é de audição obrigatória. A prova de como é um excelente guitarrista? Oiçam esta versão de Astronomy Domine, tocada quase 41 anos depois de Frank Zappa e os Pink Floyd se terem juntado em palco no Festival de Amougies, na Bélgica.

Segundo a Wikipédia, Ulver (lobos, em norueguês) é uma banda rock (norueguesa…) que mistura folk metal e black metal com ambient music e avant-garde e foi criada em 1993. Nesta versão de Another Brick In The Wall (Pt.1), nota-se mais o lado ambiental e electrónico do que qualquer outro género. Esta cover também preenche um dos requisitos para esta mix, provocar nos fãs dos Floyd o efeito WTF.

A versão que The Gentle Good (do multi-instrumentista galês Gareth Bonello) fez da faixa One of My Turns é também susceptível de provocar o efeito WTF entre os fãs de Pink Floyd. Gareth Bonello pegou no original (do disco The Wall), transformou-o e incorporou-o na sua própria linguagem musical, ignorando as guinadas psicóticas de Waters.

Da Wikipédia: Nik Turner, nascido a 28 de Agosto de 1940, em Oxford, é um músico britânico, mais conhecido como membro fundador dos Hawkwind, um grupo pioneiro do chamado space rock. Turner toca saxofone, flauta, canta e é compositor. Na banda, era reconhecido pelas suas actuações em estilo free jazz experimental e pela presença extravagante em palco, surgindo com frequência totalmente maquilhado, vestido roupas inspiradas no Antigo Egipto. É Turner o responsável pela cover de Careful With That Ax, Eugene.

Numira é uma banda de rock alternativo de Los Angeles liderada por John Stack, um músico bastante ecléctico e que por várias vezes já tocou ao vivo canções dos Pink Floyd. Esta é a sua versão de Sheep, do álbum Animals.

Os Yortoise são outra banda de rock alternativo de Los Angeles. A sua versão de Money provocará certamente o efeito WTF que pretendo. A cover que se segue de Have a Cigar, dos Ira, também deverá provocar o mesmo efeito. Logo dirão de sua justiça, não é?

Tom Freund é um cantor e compositor norte-americano mais conhecido pelas suas colaborações com Ben Harper, Graham Parker, Mandy Moore e Josh Kelley, entre outros, do que propriamente pela sua carreira a solo. A sua versão de Fearless é pouco excitante, mas muito, muito certinha e agradável de ouvir. Freund dispensou as claques de futebol da versão original.

Dave Chappel é o companheiro de aventuras musicais de Danny Allen e membro do grupo Harvette, já mencionado por causa da cover de Bike. Toca aqui uma versão de San Tropez, agradável mas não especialmente memorável. Quanto ao que Tim Mayer fez da canção Goodbye Blue Sky… modo WTF, outra vez.

Pierre de Beauport (dos Becca & Pierre, que tocam Childhood’s End) é conhecido por ser o técnico pessoal das guitarras de Keith Richards, dos Rolling Stones, e co-autor de uma canção, Thief in the Night, que apareceu no álbum Bridges to Babylon, lançado em 1997.

Courtney Fairchild é uma cantora do Texas com uma bela voz – gosto tanto da voz de Fairchild que até desculpo esta versão de sabor folk-country de Nobody Home.

Da Wikipédia: os Engineers são uma banda inglesa formada em 2003. Os seus trabalhos são frequentemente conotados com o estilo psicadélico e o post-rock, mas o grupo já afirmou que as suas influências são muito mais abrangentes, de The Cocteau Twins a Curtis Mayfield. Tocam Hey You.

Peter Broderick é um músico e compositor norte-americano, membro de uma banda indie dinamarquesa chamada Efterklang. Broderick é essencialmente um músico de estúdio recrutado para projectos de outros, mas já lançou vários discos em nome próprio. Gostei muito da sua versão de Is There Anybody Out There.

Os Quetzal foram formados por Quetzal Flores. A banda toca um misto de ritmos mexicanos e afro-cubanos, jazz, blues e rock, e tem uma excelente vocalista, Martha Gonzalez. A sua versão de Mother está bastante boa.

A última cover desta emissão é feita pelos Soundcarriers, que transformaram a catarse final de The Wall (Outside the Wall) numa canção que poderia ter sido escolhida por Tarantino ou mesmo Steven Soderbergh para o filme Ocean’s Eleven. O resultado é tão bizarro que decidi concluir esta primeira parte assim.


Careful With That Cover, Eugene

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Marco Santos | Música | 11 comentários »
19/Julho/2010

Músicas que me arrepiam até à raiz dos cabelos (III)

Marco Santos | Vídeos | 41 comentários »



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